Centrais definirão política para trabalhador estrangeiro
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de maio de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 28 (AE) - O ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, afirmou hoje que vai rever a política de migração de trabalhadores para o Brasil, em uma discussão com as principais entidades sindicais do País. "Quem vai fazer a política de migração brasileira são as centrais sindicais", afirmou o ministro, que participou de um seminário da Força Sindical do Teatro da Faculdade da Cidade em Humaitá, na zona sul do Rio.
Dornelles explicou que demitiu hoje os responsáveis pelo setor de migração do Ministério de Trabalho porque o sistema de concessão de novos vistos estava "muito frouxo". Foram exonerados ontem (27) o coordenador geral e o coordenador da área, Leon Cinelli e Luiz Carlos da Luz.
O ministro citou números de vistos concedidos no ano passado para demonstrar que foi autorizada a entrada de muitos trabalhadores cujas funções poderiam ter sido preenchidas por funcionários brasileiros.
Em 1998, foram concedidos 2,4 mil vistos para gerentes, 1.190 para diretores de empresas, 820 para engenheiros e arquitetos. Encanadores, soldadores e chapadores estrangeiros também receberam 820 vistos, e oficiais de bordo, 460. O ministério expediu 360 vistos para economistas e contadores de outros países no ano passado.
"Queremos absorver tecnologia estrangeira e não podemos fechar a nossa economia", afirmou. "Agora, não podemos permitir que empresas estrangeiras que tenham comprado estatais entrem aqui tirando vagas de pessoas do nosso mercado", disse o ministro, sem querer referir-se especialmente a espanhola Telefónica, que tem sido apontada como empresa que adota esta prática.
O ministro afirmou que, em 15 dias, também vai começar uma fiscalização de rebocadores que estariam sendo trazidos de outros países com tripulação estrangeira para trabalhar no País sem condições de segurança e a salários mais baixos do que a média do mercado.
Mesbla - Dornelles informou que fez um apelo ao presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Pio Borges, para que converse com outros credores do grupo Mappin-Mesbla, para verificar se não há como fazer uma operação para salvar a cadeia de lojas. "O BNDES não tem que ser hospital, mas muitas vezes a instituição financeira tem de ver se, colocando mais um pouco, não recupera tudo o que colocou", afirmou Dornelles.
Ele lembrou que, muitas vezes, os bancos privados adotam essa medida.
O ministro evitou criticar Borges, que já afirmou ser contrário à concessão de qualquer empréstimo ao Mappin sem a concessão de garantias apropriadas. "Pio Borges tem que cuidar do interesse do banco", justificou.


