São Paulo terá de interromper até o final de abril o sistema de listas múltiplas de pacientes candidatos a transplante de rim. No dia 1º de maio, estarão em funcionamento a central nacional, sediada em Brasília, e as 16 centrais de transplantes do País. Elas deverão obedecer as regras da lei de transplantes, que determina a instituição de uma lista única por Estado de receptores de órgão e impede qualquer tipo de ação fura-fila.
‘‘A partir de abril, todos terão de se adequar’’, avisou o ministro da Saúde, Carlos César Albuquerque. Por enquanto, nada pode ser feito, segundo ele, para impedir o sistema paulista, pelo qual o hospital captador de rins pode ser beneficiado com um dos órgãos. A lei estabelece um prazo de até dois anos para a implantação da rede de transplantes, quando passa a funcionar o sistema de lista única. O ministério, porém, vai se antecipar e quer todas as centrais funcionando dentro das novas regras até o final de abril.
A adoção de sistemas diferenciados do previsto em lei, conforme Albuquerque, não é situação restrita a São Paulo. ‘‘Hoje, a distribuição de rins se dá de forma diferenciada nos Estados, mas a partir da implantação da rede a regra passará a ser uma só para o País’’, adiantou o ministro. ‘‘Ninguém vai passar na frente de ninguém’’. Embora a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo argumente que o sistema criado visa incentivar os hospitais a captarem órgãos, o secretário de Assistência à Saúde do ministério, Antônio Werneck, disse que a prática poderá ser punida até com o descredenciamento.
Com a aplicação da lei, o ministro da Saúde estima que, em cinco anos, vai aumentar de cinco para 20 o número de doadores de órgãos para cada grupo de um milhão de brasileiros. A expectativa é que o número de transplantes anuais salte de uma média de dois mil para 3,2 mil. A lei, acredita Albuquerque, propiciará um melhor diálogo entre a equipe médica e a família. Além de contarem com uma base legal, as equipes serão treinadas a negociar com a família a retirada do órgão.

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