A fazenda Serra Norte, em Curionópolis, a 640 km de Belém, foi ocupada na última sexta-feira por cerca de 150 homens, a maioria armada de espingardas, revólveres e escopetas. Segundo vistoria do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a fazenda é produtiva. Acusado pelos fazendeiros, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Pará nega participação na ocupação.
Há sete meses o fazendeiro Geraldo Antonio Rodrigues de Freitas, proprietário da Serra Norte vem enfrentando problemas com ladrões de gado e madeira, além de famílias que se dizem sem-terra. Na fazenda, de 2.251 hectares, Freitas cria seis mil cabeças de gado. ‘‘Minha terra é produtiva, tanto que a juíza Margui Gaspar Bittencourt concedeu liminar de reintegração de posse’’, disse o fazendeiro, mostrando o documento da Justiça.
Para o vice-presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Paraupebas, Curionópolis e Eldorado dos Carajás, Diogo Naves, o clima na fazenda é de tensão. Os empregados, segundo ele, estão armados e confinados à sede da propriedade. Naves acusa o MST pela invasão. ‘‘O MST está de olho na fazenda e vinha pregando a distribuição de lotes entre as famílias’’. O presidente da Federação da Agricultura do Pará (Faepa), Carlos Xavier, disse que a entidade está cansada de pedir à Polícia Militar o cumprimento de decisões judiciais. ‘‘Infelizmente, as leis não estão sendo cumpridas no sul do Parᒒ.
De acordo com Gladston Barbosa, um dos dirigentes do MST em Marabá, a fazenda Serra Norte já deveria ter sido desapropriada há muito tempo pelo governo. Embora negue a participação da entidade na invasão, Barbosa disse que não condena as famílias que entraram na fazenda. ‘‘pode até existir grileiros pelo meio, mas a maioria é de pessoas necessitadas, que não têm onde morar’’.

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