Centenas de sem-terra já estão em Curitiba para semana de manifestações
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domingo, 18 de abril de 1999
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 19 (AE) - Centenas de sem-terra começaram a chegar hoje em Curitiba para uma semana de manifestações. Segundo os coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), o objetivo é "denunciar a violência praticada no Estado pelas forças do latifúndio, da bancada ruralista e suas milícias armadas atreladas ao governo do Estado e à Secretaria de Segurança Pública". Há muita divergência sobre o número de manifestantes. Enquanto o MST dizia que duas mil pessoas estavam na cidade, a Polícia Militar informou que eram cerca de 600.
Os sem-terra aproveitaram a presença, em Curitiba, de membros da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, para fazer denúncias. Segundo o MST, desde o início do ano passado nove trabalhadores rurais foram mortos no Estado e não houve nenhuma punição. Outros 128 tiveram a prisão decretada. Essas mesmas denúncias já foram apresentadas ao ministro da Justiça, Renan Calheiros, e ao Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana.
O líder do PT na Câmara, deputado José Genoíno, um dos membros da comissão, disse que iria novamente exigir das autoridades o fim da violência no campo. "Esses trabalhadores estão reivindicando o direito de trabalhar, o direito de produzir", disse. "Não se resolve conflito social com violência, nem com polícia, mas com negociação, com políticas públicas". À noite, a comissão iria se encontrar com o governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL). Relatório - Antes mesmo da reunião, o governo divulgou um relatório informando que há 50 casos de conflito agrário sob investigação no Estado. Segundo o relatório, 13 casos são referentes a agressões contra integrantes do MST, ocorridas desde 1997, enquanto em 37, os sem-terra são acusados de autoria de crimes, que vão de dilapidação de patrimônio a assassinatos. Das acusações de violência contra os sem-terra, cinco casos tiveram os inquéritos policiais concluídos e estão com o Poder Judiciário. Os outros ainda estão sob investigação da Secretaria de Segurança Pública.
A manifestação dos sem-terra continua amanhã (20) com panfletagem no centro da cidade. Quarta-feira, o dia será dedicado a estudos. Para quinta-feira, está previsto um ato "em defesa do Brasil, pela soberania nacional e contra o Fundo Monetário Internacional (FMI)". A concentração será na Praça Santos Andrade, de onde saem em direção ao Banco Central, e, depois, à Praça Rui Barbosa, onde se encerra a manifestação.


