Centenas de peixes morrem em rio próximo ao 'lixão'
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sábado, 16 de novembro de 2002
Emerson Dias<br> Reportagem Local 
Centenas de peixes foram encontrados mortos no Ribeirão Periquito, que corta propriedades rurais da zona leste de Londrina. Agricultores que moram na região afirmaram, ontem, que resíduos líquidos que vazam do aterro sanitário conhecido como lixão teriam sido responsáveis pela poluição do rio.
A reportagem da Folha percorreu as margens do ribeirão e encontrou uma água escura e exalando forte cheiro, além de várias espécies de peixes mortos (bagres, lambaris, tilápias e cascudos, entre outros). ''A água tem que estar muito poluída pra matar cascudo. Foi o chorume do lixão que fez isso'', comentou revoltado o agricultor Horst Bayer, 61 anos, enquanto recolhia os peixes juntamente com o filho, Josué Bayer, 32. ''Há um ano e meio aconteceu a mesma coisa, só que não morreram tantos peixes. Os fiscais do IAP (Instituto Ambiental do Paraná) registraram na época 19 mil coliformes em 100 mililitros de água'', recordou Josué.
Outro vizinho, Francisco Brener, 63 anos, também confirmou que a poluição do Periquito já havia sido registrada mais de uma vez e destacou que o vazamento de chorume não estaria ligado ao período de chuvas, que poderia ter provocado o transbordamento dos tanques nos últimos dias. Os agricultores destacaram ainda que a água não está sendo usada nem mesmo para matar a sede dos animais. ''Já perdi uma vaca leiteira aqui. Alguém tem que ser responsabilizado'', criticou Horst.
Uma equipe do IAP foi acionada ainda na manhã de ontem. De acordo com o fiscal Hélio Bigetti, a morte dos peixes foi confirmada, mas somente exames laboratoriais poderão determinar o que provocou o crime ambiental. ''Recolhemos amostras da água escura e vamos encaminhar o material para avaliação. Chegamos a visitar os tanques com chorume, mas não encontramos sinais de vazamento'', comentou Bigetti.
A distância que separa o lixão do local onde se acumularam os peixes mortos é de cerca de dois quilômetros em declive. O caso citado por Josué aconteceu em agosto do ano passado. Na época, o IAP multou a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo (CMTU) em R$ 40 mil, sob a afirmação de que o chorume estaria sendo lançado no rio a partir de galeria pluvial.


