Rio, 12 (AE) - Pesquisa realizada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) revela que o perfil do aluno da instituição não corresponde à imagem tradicional do universitário brasileiro que estuda em faculdades públicas. Segundo o resultado do 1º Censo dos Alunos de Graduação da Uerj, divulgado hoje, 45,6% dos estudantes trabalham, 83,5% moram fora da zona sul, área nobre da cidade (22,8% residem em outros municípios), e 42,5% são formados em escolas da rede pública. O porcentual de pais de alunos com nível superior é baixo: 35,1% (pais) e 24,7% (mães). Durante a pesquisa, realizada em julho de 1997, foram ouvidos 11 mil dos 22.510 alunos da universidade. Dos estudantes que trabalham, 48,5% gastam mais de 40 horas por semana com essa atividade e 57,8% atuam fora da área de formação. É o caso de Marjorie Gomes Antunes, de 26 anos, aluna do 6º período de engenharia química. Ela divide um apartamento com o irmão em Vila Isabel, na zona norte, e trabalha desde 1993 para se sustentar. Antes de ingressar na universidade, trabalhava na Companhia Docas do Rio, onde acompanhava a lubrificação de máquinas pesadas - Marjorie tem diploma de técnica em mecânica física industrial. A partir de 96, já na Uerj, passou a dar aulas particulares para alunos do ensino médio. Recebe cerca de R$ 500 por mês.
"Dou aulas no fim de semana, e é claro que não sobra muito tempo para estudar, mas a gente precisa se virar, não tem jeito". Além de trabalhar, Marjorie, que pretende seguir carreira na indústria farmacêutica, faz estágio e é vice-presidente do centro-acadêmico do Instituto de Química. Visão estereotipada - "O Censo mostra que temos uma visão estereotipada dos alunos de universidades públicas, como sendo um aluno rico", avalia o reitor da Antônio Celso Pereira. Para ele, a baixa escolaridade dos pais confirma a explicação de que a universidade é um instrumento de ascensão social. "A universidade é um espaço ímpar para a convivência, porque dá aos estudantes a oportunidade de conviver com pessoas de diferentes grupos sociais".
O censo também compreende um questionário, no qual os alunos puderam dar notas de 1 a 10 referentes aos seguintes temas: curso, professores e bibliotecas. O conteúdo do currículo dos cursos recebeu nota 6,8 e, na questão dos equipamentos disponíveis, a universidade teve uma avaliação baixa: 5. No caso dos professores, receberam 7,9 para conhecimento de assunto e 6 1 na questão da disponibilidade de atendimento extra-classe. O serviço de biblioteca teve 7,7 na qualidade do atendimento, mas recebeu 5,1 na pergunta sobre a atualização do acervo.
Dos alunos da Uerj, 52% são mulheres e 48%, homens. Elas são maioria nos Centros Biomédico (75%) e de Educação e Humanidades (74%), enquanto eles dominam o Centro de Tecnologia e Ciências (72%) e o de Ciências Sociais (54,5%). Dos 39 cursos da Uerj, dez foram avaliados no provão de 1998: sete receberam conceitos A e três tiveram nota C. O 2º Censo será realizado a partir de agosto.

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