Curitiba- Cento e trinta e quatro instituições de ensino superior com 238.724 alunos matriculados em 1.114 cursos. Esses são alguns dos números do ensino superior no Paraná até o ano passado. Os dados são do Censo da Eduacação Superior de 2002, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais do Ministério da Educação e Cultura (Inep/MEC). O estudo traça um panorama do ensino superior no Brasil e em todos os estados. O destaque da pesquisa é o crescimento vertiginoso das intituições de ensino superior privadas.
Em cinco anos, o número de instituições superiores no Estado cresceu em 54%. Passou de 61 em 1998 para 134 em 2002. O número de instituições públicas passou de 21 para 22 enquanto o de instituições privadas pulou de 40 para 112. No Brasil, a tendência é a mesma. As instituições privadas representam 88% das escolas superiores. ''O aumento das escolas superiores particulares é normal. Há uma demanda e é preciso crescer. O que acontece de anormal, na verdade, é as instituições públicas terem parado de expandir, o que está acontecendo por falta de verbas'', explica o vice-presidente do Conselho Estadual de Eduação, Teófilo Bacha Filho.
O número de alunos matriculados no ensino superior também teve um crescimento significativo: pulou, em cinco anos, de 141.119 para 238.724. Mais uma vez se constata um aumento mais expressivo no setor privado, que matriculou, em 1998, 70.122 estudantes (as instituições públicas haviam matriculado 71.007) e aumentou para 148.450 alunos em 2002 (as públicas aumentaram para 90.274). Já o número de cursos ofertados no Estado dobrou em cinco anos, passando de 500 para 1.114, sendo 676 no setor privado (eram 244 em 1998) e 438 no setor público (eram 256 em 1998).
Os professores, segundo o censo, estão ficando cada vez mais qualificados. As escolas de ensino superior do Paraná estavam contando em 2002 com 18.842 professores, sendo 3.500 doutores e 7.309 mestres. As instituições públicas detêm o maior número de docentes com doutorado. Dos 8.253 professores da rede pública, 2.429 têm a graduação de doutor. No setor privado, dos 10.589 docentes, apenas 1.071 possuem doutorado.
Segundo Bacha Filho, nem a abertura de várias novas instituições e nem a graduação dos professores significa perda de qualidade. ''O País precisa dessas faculdades. O que precisa é uma maior facilidade na hora de abrir essas instituições e um maior rigor na hora de fiscalizar a produtividade delas. No Brasil se faz o contrário'', comenta.
Apesar de todo esse crescimento, ainda sobram vagas no Estado. Em 2002, das 127.325 vagas ofertadas, apenas 87.185 foram preenchidas. E as sobras se concentram nas instituições privadas. Das 120.854 vagas disponibilizadas pelas escolas particulares, cerca de metade (62.833) foram ocupadas. Já na rede pública, das 24.848 vagas ofertadas, 24.352 foram preenchidas. Isso, obviamente, torna a disputa a uma lugar no ensino superior mais acirrada de um lado e cada vez mais fácil de outro. Nas escolas públicas, o Paraná registrou uma média de nove candidatos por vaga. No setor privado, essa relação foi de 1,2 candidato por vaga.

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