Brasília, 25 (AE) - O Censo do Ensino Superior de 1998 mostrou que 124.678 vagas de graduação oferecidas pelas universidades públicas e privadas no ano passado deixaram de ser preenchidas. A sobra ocorreu principalmente nos 13 cursos de licenciatura (formação de professores), responsáveis por 39.863 vagas não aproveitadas. De acordo com o Inep, a causa disso pode ser a baixa qualidade do ensino nas licenciaturas, o que preocupa o governo.
As licenciaturas preparam os futuros professores de ensino fundamental (antigo 1º grau) e médio (antigo 2º grau) e há no País 825 mil deles sem nível superior, ou seja, que precisam passar pela universidade. Além disso, a expansão do ensino médio vai demandar novos profissionais qualificados.
Nas instituições particulares, sobraram 115.318 vagas; nas federais, 1.628; nas estaduais, 2.782; e nas municipais, 4.950. Nos cursos de educação artística, por exemplo, 41,2% das vagas não foram preenchidas. Em pedagogia, a sobra foi de 8.044 e, em letras, de 7.667. Caso todas as vagas tivessem sido preenchidas, a expansão do ensino superior, em relação a 1997, teria sido de 14% e não de 9%, como constatado.
Qualificação - O levantamento demonstrou que a expansão do sistema universitário está sendo acompanhada pela qualificação dos professores universitários. Entre 1990 e 1998, o número de docentes com mestrado subiu de 21,1% para 27,5% e, com doutorado, de 12,9% para 18,8%. Houve também no mesmo período um aumento do total de professores com especialização, de 31,6% para 34,9%.
As instituições públicas, que têm menos alunos matriculados, apresentaram professores mais qualificados do que as particulares, o que ajuda a explicar o melhor desempenho das públicas nas avaliações realizadas pelo MEC, a exemplo do Exame Nacional de Cursos (Provão). Nas públicas, 28,1% dos docentes eram doutores, contra 9,3% nas particulares. Em relação aos mestres, a diferença foi de 30% para 25,1%.
Disputa - De acordo com o censo, a disputa de vagas nas universidades federais está crescendo a cada vestibular, apesar de, no conjunto das instituições (públicas e privadas), essa relação ter caído de 3,9 candidatos por vaga, em 1994, para 3,7 no ano passado. Nas federais, em 1994, havia, em média, oito candidatos por vaga. No ano passado, essa relação foi de 9,4 candidatos por vaga.
O curso mais concorrido continua sendo o de medicina, com média de 29 candidatos por vaga. Em segundo lugar, ficou o de produção cultural, um curso pouco conhecido e oferecido por uma única instituição, motivo pelo qual apresenta alta relação candidato/vaga, de 14,6.
Os cinco maiores vestibulares do País no ano passado foram, pela ordem, o da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Paulista (Unip), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade Mackenzie e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). As mulheres eram maioria entre os alunos matriculados nos 6.950 cursos de graduação no ano passado. Elas representaram 55% dos 2.125 milhões de estudantes universitários.

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