Censo aponta defasagem de idade nas escolas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de junho de 2001
Demétrio Weber Agência Estado De Brasília 
Quatro em cada dez estudantes brasileiros de 1ª a 8ª série têm idade acima do previsto. É o que revelam novos dados do Censo Escolar 2000 divulgados ontem pelo Ministério da Educação (MEC). A defasagem é resultado da repetência e da evasão e constitui um dos problemas centrais do sistema educacional do País.
A chamada distorção idade-série, que mede o atraso dos alunos, era de 41,7% no ano passado. Isso significa que houve melhora em relação a 1999, quando a taxa ficou em 44%. Em 1996, a distorção era ainda maior: 47% dos estudantes tinham idade acima do previsto.
Ainda que considere alta a defasagem etária dos estudantes do ensino fundamental, o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, disse que a diminuição da taxa demonstra a melhoria na qualidade do ensino. O censo mostrou que 21,6% dos estudantes repetiram de ano e 4,8% deixaram de estudar, o que revela avanço nesses indicadores em relação aos últimos anos.
Segundo Paulo Renato, a redução nas taxas de repetência evasão decorre de mudanças estruturais no sistema de ensino do País, com destaque para o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), a distribuição do livro didático, dos parâmetros curriculares e o treinamento de professores. O processo de correção vai-se acelerar nos próximos anos e chegaremos ao fim da década com menos de 10% de distorção, declarou.
Para o ministro, o avanço constatado pelo Censo 2000 não se deve à adoção crescente do sistema de ciclos no ensino fundamental - em que só há retenção de alunos na metade ou no fim do período de oito anos de estudo. Prova disso, segundo ele, é que apenas 23% dos alunos em todo o País frequentam turmas no sistema de ciclos.
A ressalva, no entanto, não vale para São Paulo, onde 80% dos matriculados estudam em ciclos, nem para Minas, onde essa proporção é de 70%, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).
Entre 1996 e 2000, a taxa de repetência em São Paulo caiu de 18% para 7% e, em Minas, de 26% para 14%. Já no Rio de Janeiro, a taxa subiu de 20% para 24%. O Rio não tem política de combate à repetência como os demais Estados, disse a presidente do Inep, Maria Helena Guimarães de Castro.
Paulo Renato reafirmou seu apoio aos ciclos, considerados pelo MEC como forma de ensino melhor do que o tradicional sistema de séries. Mas os ciclos têm de ser bem implementados, pois exigem mais avaliação e que a escola assuma a responsabilidade pelo ensino, disse o ministro.
Os números da repetência melhoraram, mas continuam altos mesmo se comparados com países da própria América Latina. Um estudo da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), usando dados de 1997, mostra que na Argentina a repetência é de 5,7%. No Paraguai, de 8,4%. Outro dado mostra que, apesar da repetência, evasão e distorção estarem melhores, a qualidade da escola ainda está longe de ser boa. (Com Agência Folha)


