Censo Agropecuário aponta aumento de áreas florestais no PR
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segunda-feira, 24 de setembro de 2018
Isabela Fleischmann <br> Reportagem Local 

As áreas de matas em propriedades rurais do Paraná cresceram em 2017 na comparação com o ano anterior. É o que aponta o Censo Agropecuário, produzido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Pelos números do censo, o passou de 3,4 milhões de hectares em 2016 para 3,9 milhões no ano seguinte, somando matas naturais e plantadas. O resultado ainda é preliminar, visto que o Censo definitivo de 2017 deve ser divulgado apenas em julho de 2019.
Os dados também mostram uma redução no número de propriedades no Estado, de 371 mil para 305 mil. A quantidade de hectares, no entanto, praticamente não mudou desde 2006. Propriedades de até 50 hectares abrangem 85% do território do Paraná. Embora os dados sugiram que o produtor está preservando mais, o economista Jefrey Kleine Albers, do Sistema Faep (Federação de Agricultura do Estado do Paraná), explica que uma mudança metodológica por parte do IBGE pode ter interferido nesse resultado.
Segundo o especialista, o IBGE adotou, a partir deste censo, a ideia de propriedades como "estabelecimentos". Assim, caso um produtor possua duas áreas não contínuas no mesmo município, o censo registrará como uma propriedade só. É considerado estabelecimento toda unidade de produção ou exploração dedicada total ou parcialmente à atividade agropecuária florestal ou agrícola, independentemente de seu tamanho ou forma jurídica (se pertence a um ou vários produtores ou a uma empresa, por exemplo).
De acordo com o gerente técnico do Censo Agropecuário, Antonio Florido, em 2006, as áreas de mata natural do Paraná somavam 2.814.855 de hectares. Em 2017, esse número subiu para 2.971.573 de hectares. Enquanto em 1995 e 1996, as matas naturais cobriam 2.081.587 hectares. "O aumento, portanto, não é constatado somente agora. Vem aumentando de censo a censo", explicou Florido. "Isso pode ser por terem sido incluídos novos estabelecimentos. Com o advento do CAR (Cadastro Ambiental Rural), aumenta também o registro da área de proteção ambiental", acrescentou.
As causas da redução da quantidade de propriedades e aumento da mata não são estudadas no censo. Segundo o especialista, a redução da área média dos estabelecimentos pode ter ocorrido em razão do envelhecimento dos proprietários e devido à redução dos processos sucessórios na gestão de propriedade rurais.
Já o IAP (Instituto Ambiental do Paraná) afirma que o Estado tem mais de 30% de seu território com remanescentes de vegetação nativa. Estudo feito em parceria com o Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná) usou imagens de satélite como base durante as análises do CAR estadual. A pesquisa foi concluída em junho.
De acordo com o levantamento, o Paraná possui 5.808.878,19 de hectares de vegetação nativa, juntando florestas e mangues. Os outros 66,51% são áreas antrópicas - de pastagem, agricultura e reflorestamento. O restante são referentes a áreas de água (1,96%) e a áreas urbanas (1,40%).
"Há muito tempo o Estado não tinha um estudo próprio que considerasse o real remanescente de vegetação nativa. Com base nas informações que os proprietários rurais estão nos passando e o banco de dados que criamos, podemos monitorar os nossos remanescentes com mais atenção e critério", afirmou o presidente do IAP, Paulino Mexia.
OUTROS ESTUDOS
Resultado similar ao do estudo feito em parceira pelo Simepar e IAP foi obtido pelo estudo MapBiomas, iniciativa do SEEG/OC (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima). Esse relatório, de 2017, foi feito por uma rede colaborativa de ONGs (organizações não governamentais), universidades e empresas de tecnologia. Assim como o estudo do Simepar, essa pesquisa foi feita com imagens de satélite (Landsat) com resolução de 30 metros e mostra que o Paraná possui 5.503.869,98 hectares de remanescente de vegetação nativa.
Já trabalho feito pela Embrapa Florestas em janeiro deste ano foi baseado nas declarações do CAR. Segundo esse relatório, o Estado tem 4.622.074,10 hectares de área de vegetação remanescente.


