O fim da coleta de dados do Censo 2000 em Londrina depende do preenchimento de formulários de 0,5% da população do município. Mesmo inacabado, o trabalho dos recenseadores revela dados pitorescos. Para tentar comprovar a estimativa de 438.604 habitantes, os entrevistadores estiveram expostos à mordida de cachorros nas ruas e nas residências, tiveram que se proteger de tiroteios em bairros, foram importunados por bêbados e não escaparam de assaltos. Mas, se essas situações verídicas amedrontaram e fizeram até mesmo alguns recenseadores desistirem, a maioria garante que teve boa acolhida pela população.
A supervisora do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Simone Saris, responsável por nove recenseadores que pesquisam o Shangri-lá A e B e Jardim do Sol, comentou que muitas pessoas ligavam para perguntar quando iriam ser recenseados. A recepção, entretanto, foi maior nos bairros mais simples. Segundo a supervisora, nos bairros de classe média alta as empregadas dificultavam a entrada do pessoal.
Declarar renda menor também foi comum nas residências abastadas. ‘‘Alguns declaravam um valor que não condizia com os carros importados na garagem e com o padrão da casa’’, disse a supervisora.
As famílias mais humildes mandavam recado para o governo sobre suas dificuldades financeiras. O censo, em Londrina, encontrou um caso de uma família que sobrevive com R$ 4,00 por mês. O governo foi a causa da recusa da resposta ao censo, em vários casos. ‘‘Muitas pessoas que se recusavam a responder diziam que não queriam facilitar as coisas para o geverno’’, disse Simone.
Os nomes estranhos encontrados na cidade chamou a atenção dos recenseadores. ‘‘A criatividade dos pais não tem limites’’, comentou Simone Saris. Nomes como Red Mac, Édipo e Karol Wojtyla (o nome do Papa João Paulo II) foram registrados. Alguns nomes, como Anivertina, Paraílio e Endoxo parece que foram inventados pelos pais. Fatos acontecidos no mundo, como a Guerra do Golfo, em 1991, mereceram registro no nome de uma criança chamada Saddam Hussein. Mais de um Lalau foi encontrado em Londrina pelos recenseadores, no sobrenome de uma família inteira.
A coleta de dados termina na segunda-feira. Até agora, os números apurados demonstram que existem 51,66% de mulheres e 48,34 de homens, distribuídos pelas zonas urbana e rural. Os estrangeiros em trânsito e os estudantes que moram na cidade apenas para estudar não são contados. ‘‘Eles são recenseados em suas cidades de origem’’, informou Picelli.

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