São Paulo, 18 (AE) - O dólar voltou a rondar a barreira dos R$ 2,00 hoje, com a piora das expectativas determinada pela instabilidade da Bolsa de Nova York e com a escassez de moeda no mercado interno. A moeda atingiu R$ 1,9980, a máxima do dia, e fechou em alta de 1,06%.
A última vez que o dólar alcançou níveis tão elevados foi no início de março, menos de dois meses depois da mudança na política cambial brasileira. Segundo operadores, apesar de a Bolsa de NY ter fechado com valorização de 0,96%, manteve-se em queda na maior parte do dia.
A expectativa em relação à divulgação de um número elevado do Índice de Preços ao Consumidor dos EUA, amanhã, e à troca de bônus Bradies que o Brasil vai promover deixou as mesas de câmbio brasileiras apreensivas. A inflação alta deve levar a novo aumento das taxas de juros nos EUA, reduzindo a atratividade de países como o Brasil.
O mercado não ficou nervoso, mas reconhecem que, embora a moeda esteja cara demais considerando os fundamentos da economia brasileira, as altas sucessivas podem levar o mercado a começar a comprar para evitar perdas maiores. Se muda o referecial da moeda, os bancos passam a comprá-la para não ter de pagar mais ainda depois.
Esse cenário combinado a um fluxo negativo fez o dólar disparar. Muitos operadores comentaram as atuações do Banco do Brasil comprando moeda, especialmente no período da tarde. Acredita-se que as operações tenham sido feitas em nome de clientes, mas os técnicos observaram que, se tivessem ocorrido de manhã, pressionariam menos a moeda.
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse que o governo não tem "números mágicos" para determinar quando a autoridade monetária deve atuar no mercado de câmbio, referindo-se à possibilidade de intervenção, se a moeda alcançar R$ 2,00. Segundo Fraga, "o BC fica de olho na inflação e age de acordo com sua expectativa futura de inflação e ponto final".

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