O primeiro caso da Covid-19 diagnosticado em Londrina completará seis meses nesta sexta-feira (18) enquanto a perspectiva ainda é de expansão do cenário epidemiológico na cidade. Quando uma senhora que havia retornado da Itália teve o diagnóstico confirmado, poucas pessoas poderiam dizer a cidade registraria 212 óbitos por conta da doença até este domingo e a cidade atravessaria setembro sob a vigência de uma lei seca e com novas determinações para o fechamento de bares. Por conta disso, a AML (Associação Médica de Londrina) elaborou um relatório e pediu aos seus associados que compartilhem as informações com o maior número de pessoas uma vez que muitas ainda deixam de dar a devida importância às medidas de segurança, seja por cansaço ou a falsa sensação de estarem imunes aos sintomas mais graves provocados pelo vírus.

Conforme o relatório da entidade, embora 91% dos infectados já possam ser considerados curados da doença e a cidade tenha aumentado a oferta de leitos exclusivos, a associação destaca que o mês de setembro já pode ser considerado como o “pior” quando observados alguns dados. Dentre eles, o recorde no registro diário de novas confirmações, 210 no dia 12 de setembro e o número elevado de casos ativos no feriado de Sete de Setembro, 855. Outro dado em destaque para o mês foi o número de pessoas internadas nas redes pública e privada no dia três, 101, o que antecedeu a elevada taxa de ocupação hospitalar do dia oito, 91%.

“Por isso, nesta última reunião do Coesp, o entendimento dos profissionais representantes das diversas instituições de saúde e de pesquisas da cidade foi de que o cenário epidemiológico em Londrina é de crescimento”, comenta a presidente da AML, Beatriz Tamura, representando da entidade no Coesp (Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública).

Surto de casos em ILPIs (Instituição de Longa Permanência para Idosos) nos últimos meses e o afastamento de profissionais de saúde de suas ocupações também foram mencionados. “Apenas na semana de 1 a 8 de setembro, por exemplo, foram afastadas 218 pessoas das instituições de saúde da cidade. Isso representa uma média de 2% dos colaboradores de cada uma das instituições (hospitais, laboratórios, UBSs e UPAs), segundo apontou o relatório por nós analisado em 10 de setembro”, afirmou a médica.

À FOLHA, Tamura também destacou que foram levados em consideração o estoque de EPIs (Equipamento de Proteção Individual), oferta de sedativos, taxa de afastamento de colaboradores e o R0, índice que mede a reprodução da doença. De acordo com ela o Coesp adotou um Score, ou seja, um ranking para ampliar a leitura de informações que não haviam sido consideradas inicialmente. Dentre elas, o tempo para a saturação do número total de leitos de UTI. De acordo com um membro do grupo ouvido pela reportagem, na semana epidemiológica 30 a estimativa era de mais de 80 dias. Já na semana 36 a estimativa foi de 29 dias.

No dia 10 de setembro, o Coesp adotou a cor vermelha como classificação de alto risco para o município de Londrina e voltou não recomendar a abertura de praças de alimentação em shoppings e galerias comerciais, academias e templos religiosos. Ao considerarem que a média móvel de casos diários atingiu novo pico com 174 em 22 de agosto e a cidade também registrou crescimento na média móvel de óbitos diários para 6,7, os técnicos sugeriram o "enrijecimento das medidas não farmacológicas" e alertam para a previsão de aumento da ocupação dos leitos terciários de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), sem previsão de diminuição nas próximas semanas.

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