Cenário econômico do País em 2000 depende de três variáveis básicas, diz Lloyds
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sexta-feira, 19 de novembro de 1999
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 19 (AE) - As perspectivas para a economia brasileira no próximo ano estarão diretamente ligadas a três variáveis, consideradas básicas por economistas do Lloyds Bank. A primeira se refere ao cenário internacional, que, nos últimos dois anos, exerceu impactos negativos no desempenho da economia nacional, por conta das crises em alguns países emergentes, entre eles os asiáticos e a Rússia.
Outro aspecto que deve influenciar o cenário macroeconômico brasileiro são as contas públicas, e, finalmente, a evolução da taxa de câmbio. "Embora evidente, esse tripé irá determinar se o País seguirá o caminho da estabilização e do crescimento ou se esses obstáculos tendem a impor mais um período de dificuldades para a economia brasileira", diz um relatório especial do banco.
De acordo com o Lloyds, os preços das commodities, os resultados da balança comercial, o fluxo de capitais, o câmbio e a inflação estão fortemente atrelados ao cenário externo, sobre o qual o Brasil não tem influência alguma. "Será importante observar a evolução não só da economia norte-americana mas também das sul-americanas, região relevante para o comércio exterior do Brasil", alerta o documento.
Para o banco, é importante também ficar atento ao desempenho econômico da ásia e Europa. "Alterações expressivas, ainda que menos prováveis, no perfil do crescimento acentuado e não inflacionário observado em quase toda a década de 90 nos EUA teriam um impacto significativo na economia mundial, ao pressionar os juros e, consequentemente, o fluxo de capitais", afirma o Lloyds Bank. E o Brasil, acrescenta o relatório, "não estará imune a um quadro negativo".
Sobre as contas fiscais do País, o Lloyds Bank afirma que as eleições municipais de outubro do próximo ano podem pressionar o resultado positivo e expressivo - principalmente por causa do aumento da carga tributária - das contas fiscais, que, até agora, superaram as metas com o FMI. "A fragilidade na condução da política fiscal, que parece ser o cenário mais provável, pode levar o País a perder parte da credibilidade que tenta reconquistar no mercado externo", alerta o banco.
Em relação à terceira variável (taxa de câmbio), que necessariamente está ligada às duas anteriores, os economistas do Lloyds afirmam, ela refletirá a capacidade de recuperaçao das contas externas e o gerenciamento implementado pelo Banco Central.
O Lloyds acredita, no entanto, que o cenário macroeconômico no próximo ano não está atrelado apenas a essas três variáveis, já que não se pode desprezar a influência, por exemplo, da safra agrícola e do gerenciamento da política monetária, principalmente em um ano de eleições.


