Já nas primeiras horas do feriado, o vai e vem de visitantes era intenso no Jardim da Saudade, na zona norte
Já nas primeiras horas do feriado, o vai e vem de visitantes era intenso no Jardim da Saudade, na zona norte | Foto: Fotos: Fábio Alcover



A coordenação da Acesf (Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina) montou uma verdadeira operação para que o feriado de Finados transcorresse dentro da normalidade. Com uma média de 50 mil visitas por mês, somente na semana do feriado, os números mais que dobram. Segundo o superintendente do órgão, Douglas Pereira, a estimativa de 120 mil visitantes foi atingida este ano. O número 20% superior ao registrado em 2016, segundo Pereira, foi consequência do bom tempo registrado durante toda a quinta-feira (2).

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Para dar conta do atendimento ao público nos 13 cemitérios de Londrina, foi montada uma equipe formada por 90 servidores, 80 atiradores do Tiro de Guerra, 15 agentes de endemias, 25 agentes da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), 40 guardas municipais, além de brigadas de incêndio e prestadores do serviço de abastecimento de água.

Já nas primeiras horas no Cemitério Jardim da Saudade, na zona norte, o vai e vem dos visitantes se mesclava com os gritos dos vendedores de flores e velas, que tentavam ganhar os clientes antes destes chegarem às próximas barracas. Voluntários de grupos religiosos também aproveitavam a movimentação para conseguir doações e divulgar suas crenças. Agentes de endemias e atiradores do Tiro de Guerra abordavam os visitantes para conscientizar sobre a importância de prevenir a dengue e também para recolher os sacos plásticos dos vasos de flores.

Apesar da disponibilização de uma ferramenta de busca dentro do site da Acesf para ajudar a localizar os túmulos, muita gente preferiu entrar na fila e solicitar a ajuda de um funcionário.

A zeladora Silvana Aparecida da Silva buscava informações sobre as sepulturas de um meio-irmão e de uma amiga. Depois de um tempo de espera, conseguiu a localização apenas do túmulo da amiga. "Eu não tenho o nome correto dele nem a data de falecimento. Fazia muitos anos que não tínhamos contato e fiquei em dúvida quanto à grafia. Infelizmente não conseguiram encontrá-lo", justificou.

Mesmo com as fortes chuvas dos últimos dias, que causaram queda de galhos, o Jardim da Saudade estava limpo e arrumado, situação elogiada por frequentadores como a dona de casa Maria Helena Camargo. "Venho sempre aqui e hoje está tudo mais limpo e conservado, parece melhor do que em outras vezes", opinou.

Em outubro, os 13 cemitérios de Londrina receberam um mutirão de serviços, com dedetização das áreas, poda de árvores e retirada de entulhos. Também foi feita limpeza, varrição, capina, roçagem e melhorias na iluminação dos espaços.

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TRANQUILIDADE
No Cemitério do Heimtal (zona norte), o mais antigo de Londrina, o movimento era bem mais fraco. Logo na entrada apenas um vendedor oferecia flores, velas e outros enfeites, acompanhado por um agente de endemias e um atirador do Tiro de Guerra. A tranquilidade reinava entre os poucos túmulos, alguns do século passado e de visual bastante peculiar, que contrastam com os mais recentes.

Apesar de estar limpo e com a pintura recém-feita, a conservação do cemitério ainda deixou a desejar, segundo alguns frequentadores. Para o autônomo Antônio José dos Santos, pela taxa paga referente aos túmulos do pai e da irmã, ainda há muito a ser melhorado, como os banheiros e a segurança.

Com muitos parentes sepultados no local, o casal de aposentados Henrique Kissr e Cleusa Rodrigues de Souza Kissr avaliou que a estrutura está "um pouco melhor" do que em anos anteriores. No entanto, ainda há muitas sepulturas abandonadas. Furtos das peças de bronze também são recorrentes. "Os ladrões não respeitam ninguém. Agora colocamos uma placa 'simplesinha' mesmo. Nós queríamos também assumir a administração do túmulo de uma tia do meu marido, porque não há outros parentes vivos, mas nos informaram na Acesf que precisamos procurar um advogado para isso. É muita complicação", reclamou Cleusa.

De acordo com o superintendente da Acesf, Douglas Pereira, uma lei de 1977 determina que a transferência só pode ser feita entre pais e filhos. Fora isso, é necessária a solicitação por via judicial. "Queremos resolver isso o mais rápido possível e a Procuradoria Geral do Município já terminou a primeira fase do estudo para enviar para a Câmara", destacou. (Colaborou Marian Trigueiros)

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