Cemitério russo sofre com perda de prestígio
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2000
Por Andrea Lorinczova, da AP 
Bratislava (AE-AP) - O cemitério na colina que oferece uma vista espetacular da capital da Eslováquia, ostenta um memorial de mármore de 37 metros aos heróis soviéticos e um castelo restaurado do século 11. Jovens eslovacos já consideraram uma honra o simples fato de visitá-lo. Nos dias atuais, porém, as pessoas que tomam conta do local não estão certas se serão capazes de conseguir dinheiro para evitar que o pilar de mármore desabe.
"Tudo vai depender do dinheiro que nós conseguirmos", diz Jozef Toth, engenheiro da Paming, a companhia que cuida do cemitério.
O declínio de Slavin, o cemitério dos soviéticos que morreram libertando a Eslováquia, é um símbolo das mudanças que estão acontecendo atualmente neste pequeno país.
Enquanto a maioria dos ex-países comunistas na Europa oriental tem sido rápidos ao repor as idéias russas pelas ocidentais, as transformações têm ocorrido em ritmo mais lento na Eslováquia, onde o governo autoritário que seguiu a separação da República Checa foi gritantemente pró-russo.
Agora que o governo linha dura de Vladmir Meciar está fora e o governo pró-ocidente de Mikulas Dzurinda está no comando, a nostalgia do Pacto de Varsóvia acabou e as esperanças de tornar-se membro da OTAN aumentaram.
A livraria soviética, instalada na capital Bratislava, deu lugar a um centro da comunidade católica apostólica romana. O centro da capital foi reformado e agora pode-se encontrar restaurantes italianos, pubs irlandeses e butiques chiques, que oferecem marcas como Cartier e Max Mara.
Os eslovacos, especialmente os jovens, estão absorvendo a cultura ocidental e testando a liberdade e a recompensa financeira.
Veja o caso de Rasto Kanuch, que trabalha numa agência de publicidade depois de concluir o curso de economia na universidade de Bratislava. Ele dirige um carro da empresa para a qual trabalha e adora usar qualquer coisa feita nos EUA. Ao contrário dos seus pais, que só queriam passar despercebidos pelas autoridades, o jovem de vinte e poucos anos fala sobre encontrar um emprego que o satisfaça e pague bem.
Agora que as fronteiras estão abertas, dando às pessoas a chance de viajar e procurar o sucesso fora da Eslováquia, os jovens estão tirando vantagens das opções do no ocidente que simplesmente não existiam antigamente.
Em nenhum lugar as mudanças são mais visíveis do que em Slavin, onde os jovens membros do partido comunista já consideraram uma honra deixar flores numa das 200 lápides ou nas seis valas comuns onde estão enterrados 6.650 corpos de soldados soviéticos que morreram libertando cidades eslovacas.
Depois da mudança do regime em 1989, as pessoas começaram a se desfazer de qualquer ligação com a ex-União Soviética. Em Slavin, as centenas de visitantes deram lugar ao pouco conhecimento dos viciados em drogas e skatistas, ou a qualquer um na cidade que procure por um espaço vazio.
"Eles costumavam quebrar os bancos, destruir pequenas árvores e arbustos, pichar as pedras dos túmulos", diz Toth. "Mas isso já é passado".
Paming, a companhia que administra o cemitério, contratou seguranças que impediram os jovens de destruir o memorial. Agora
o local fica totalmente deserto. Os responsáveis pela manutenção do local, que são obrigados por um tratado pós-guerra com a União Soviética a manter o memorial, fecharam o cemitério em novembro depois que o memorial começou a inclinar. Eles querem reformá-lo até abril, para o 55º aniversário do dia em que Bratislava foi libertada dos nazistas. Mas nem isso está certo. As doações para consertar o memorial não estão exatamente inundando os cofres do governo. Aparentemente, para muitos eslovacos, o sacrifício dos 7 mil russos que morreram libertando a Eslováquia, pertence a um tempo que não é mais o deles.


