Cemig: Itamar quer tirar poder de veto dos minoritários
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de outubro de 1999
por Milton F.da Rocha Filho 
São Paulo, 22 (AE) - O governador Itamar Franco (PMDB) vai mudar o estatuto da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) na segunda-feira, tirando o poder de veto dos sócios-minoritários - a AES, Southern e Opportunity - que detém 32,9% do controle da empresa. Pelo estatuto atual, os minoritários têm poder de veto sobre qualquer negócio envolva mais de R$ 1 milhão. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) não acatou pedido de liminar para que esta Assembléia Geral Extraordinária não fosse realizada. Como esta AGE será realizada em segunda convocação, já que na primeira não houve quórum, agora pode ser efetivada com qualquer número de acionistas presentes. Só por conta desta informação, confirmando a AGE de segunda-feira, os papéis da Cemig caíram 2% no after-market da Bolsa de Valores de São Paulo.
Agora com sua realização definida, o governo de Minas Gerais alterará o estatuto. A briga vai continuar na Justiça, pois falta o julgamento do mérito da questão. A antiga diretoria formada com a presença dos minoritários, que foram destituídos por medida judicial da Justiça de Minas Gerais, tinha entre outros planos, a cisão da Cemig em três companhias, a de geração, distribuição e transmissão, adequando-a ao modelo energético nacional.
Além disto, tinha como um de seus planos estratégicos o lançamento de ações na Bolsa de Nova York (a Cemig iria lançar os Americans Depositary Receipts). Tudo isto será retardado agora, já que Itamar Franco, o governador de Minas Gerais, também é contrário à privatização da companhia.
Um analista lembrou que antigamente os governos estaduais usavam as companhias energéticas para gerar caixa para seus governos, ou através de antecipação de ICMS ou por empréstimos que retiravam no mercado em nome da empresa e que depois eram repassados ao Estado. A CESP de São Paulo é um exemplo do que ocorria no passado, e acabou herdando uma dívida de vários anos e de vários governos de US$ 12 bilhões, hoje já reduzida para pelo menos a metade.


