Belo Horizonte, 16 (AE) - O ex-presidente da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Carlos Eloy, fará amanhã seu depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) constituída pela Assembléia Legislativa de Minas para investigar possíveis irregularidades na venda de 32,9% das ações ordinárias da empresa, ocorrida em maio de 1997. O depoimento de Eloy está previsto para às 15 horas. Este será o segundo depoimento à CPI instaurada no início do governo Itamar Franco. Na semana passada o novo presidente da energética mineira, Djalma Moraes, fez o primeiro depoimento. O Executivo, que representa o governo mineiro na empresa, afirmou que o Estado está em uma posição "desconfortável" na diretoria e no Conselho de Administração da empresa. Segundo o presidente, apesar do Estado deter 51% das ações ordinárias da energética existe uma dependência junto ao grupo de sócios estratégicos. "Para algumas decisões precisamos ter seis votos a favor na diretoria e oito votos no conselho, maioria que não temos", afirmou. O novo presidente da Cemig ficou por cerca de 2h30 sendo questionado pelos parlamentares. A maioria das perguntas não foi respondida. Djalma Moraes justificou que ainda não conhecia em detalhes as estratégias e políticas da empresa. Por três vezes o novo presidente da Cemig se referiu à empresa como "Telemig", empresa da qual ele foi presidente pouco antes de assumir o ministério das Comunicações na época em que o governador Itamar Franco estava na Presidência da República. Moraes não soube definir qual tem sido a participação do grupo estratégico - formado pelas empresas norte-americanas Southern Company, AES e o banco opportunity - na energética mineira, mas deixou claro que as empresas podem trazer tecnologia e conhecimento para o corpo técnico da Cemig. Apesar de ter afirmado que o Estado de Minas está em posição desconfortável, Djalma Moraes garantiu que até agora não houve nenhum veto por parte dos novos sócios para projetos ou propostas de investimentos feitas pelo governo mineiro.

mockup