Cemig discute reajuste máximo de 15% junto à Aneel
Belo Horizonte, 05 (AE) - A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) já vem discutindo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) o percentual de reajuste para as tarifas de energia cobradas em sua área de atuação. Fonte importante da empresa adiantou à Agência Estado que o reajuste máximo que a empresa pretende implantar é de 15%. Este percentual incluiria o repasse total dos custos adicionais que a empresa teve com a desvalorização do câmbio.
Dentro das chamadas despesas não-controláveis da companhia um importante componente sofre grande alteração devido a mudança na política cambial do País, os custos com compra de energia de Itaipu, que são atreladas à moeda norte-americana. A direção da Cemig pretende repassar este custo adicional para suas tarifas. A argumentação da empresa é simples: nos contratos de concessão firmados junto à Aneel previa-se o repasse para as tarifas de alterações nos custos de compra de energia de Itaipu além de custos adicionais com IOF e Cofins.
"As discussões estão sendo feitas com o intuito de repassar estes custos, o que geraria um aumento das tarifas em 15%", explica a fonte. A proposta que está sendo discutida prevê o estabelecimento de um patamar para o dólar. Em cima deste valor a ser definido seria calculado quanto a empresa passaria a pagar para Itaipu pela energia e, como consequência direta, quanto seria repassado de aumento para os consumidores. "A idéia é fixar o dólar a uma cotação de R$ 1,70, o que geraria o reajuste no porcentual de 15%", explica a fonte.
Caso a variação do dólar no decorrer do ano ultrapasse este patamar a diferença seria jogada para o próximo reajuste de tarifas do ano 2000. Se a variação média anual for inferior seria descontado também sobre o reajuste de tarifas do próximo ano. Segundo esta mesma fonte a expectativa é de que a Aneel acate esta reivindicação das concessionárias que adquirem energia de Itaipu.
"Eles estão dispostos a cumprir o acordo, com os repasses integrais das variações do custo de energia de Itaipu, IOF e Cofins, mas ainda não está fechado." As negociações só devem ser fechadas no final do mês.
Uma outra possibilidade que vem sendo discutida é o parcelamento deste aumento. Ao invés de fazer o reajuste de 15% de uma única vez, a partir de abril, as empresas poderiam escalonar em duas ou três vezes no decorrer do ano este reajuste. Atualmente a Cemig compra 17% de energia de Itaipu, o que representa cerca de 1/3 de toda a energia comercializada pela concessionária mineira. O desembolso mensal da Cemig junto à Itaipu soma US$ 30 milhões.





