Cemig: composição da infovias promete lances controversos
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quinta-feira, 18 de março de 1999
por Renato Andrade 
Belo Horizonte, 19 (AE) - A redefinição da composição acionária da Infovias da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), uma subsidiária que está sendo criada para desenvolver negócios na área de telecomunicações, promete muitos lances controversos. Assim como no caso da Eletrobrás, que vem sendo acusada de ter transferido ativos públicos para os sócios privados da Lightpar, a criação da Infovias da Cemig começa a ser questionada dentro da própria energética. O estatuto de criação da Infovias prevê que o Estado de Minas terá 48,75% das ações desta subsidiária enquanto a AES, uma das empresas privadas sócias da Cemig, terá 49,25% das ações, e indicará o presidente da subsidiária. Esta posição majoritária da AES está sendo questionada. Os diretores indicados pelo governo mineiro dentro da Cemig evitam polemizar o assunto.
O presidente da empresa, Djalma Morais, disse na semana passada, durante seu depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga possíveis irregularidades na venda de ações da Cemig em 1997, que o governo mineiro pretende rever o composição acionária, passando a posição de majoritário para o Estado. Segundo Djalma Morais, o governo mineiro entende que, como detentor da infra-estrutura desta nova empresa, tem o direito de indicar o presidente e ter a maioria junto ao Conselho. O executivo não questionou a criação da subsidiária.
As insinuações de que a AES estaria sendo beneficiada com o negócio levou o vice-presidente da Cemig, David Travesso Neto - indicado pela AES para o cargo -, a fazer uma declaração contundente a um jornal mineiro: "Diante dessas insinuações, posso garantir que a AES sairá desse negócio; A AES se retira do negócio na medida em que se discute a sua idoneidade no processo", afirmou. Dentro da Cemig a fala de Travesso Neto é vista como "jogo de cena". O atual diretor de Distribuição da Cemig, Aloisio Vasconcelos (indicado pelo governo mineiro), garantiu que o processo de redefinição da composição acionária será feito de maneira "tranquila" e que não existe nenhuma semelhança entre o caso Infovias Cemig e o caso Lightpar. O presidente da Cemig evita comentar o assunto. "Isto é explosivo", disse a um assessor. O prazo para definição da composição acionária da Infovias termina hoje, mas nenhum dos executivos da empresa quer falar sobre o assunto. "Isto pode ser prorrogado, o assunto é interno e vai demandar mais tempo", explica uma fonte da energética mineira.


