Cem milhões expostos a agentes cancerígenos
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domingo, 27 de abril de 2014
Andréa Bertoldi <br> Reportagem Local 
Curitiba - Cerca de 20% dos trabalhadores no mundo estão expostos a componentes químicos como fumos, vapores e poeiras no ambiente de trabalho. O maior problema tem sido o risco de câncer, já que uma população mundial acima de 100 milhões de pessoas sofre com a exposição a doses consideradas perigosas de agentes cancerígenos. Os dados são da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Entre os produtos que têm provocado maior risco para a saúde do trabalhador estão o amianto, aminoácidos, cromo, hidrocarbonetos e corantes. O presidente da Associação Paranaense de Medicina do Trabalho (APAMT), Paulo Zétola, disse que os solventes são os produtos mais utilizados e que provocam problemas como intoxicações no fígado e rins e podem destruir a capacidade da medula óssea de repor o sangue. Os casos de maior letalidade são os com produtos que utilizam chumbo. Segundo ele, os solventes são muito utilizados para a limpeza de peças e para o preparo de materiais antes da pintura.
No entanto, de acordo com ele, as estimativas quantitativas sobre trabalhadores que virão a desenvolver doenças são totalmente imprecisas, pelo tempo decorrido entre as exposições a substâncias químicas tóxicas ou perigosas e a manifestação dos efeitos adversos. Segundo Zétola, também há muitos casos de subnotificação de doenças.
Zétola alertou ainda que a exposição a agentes químicos, além de câncer, pode desencadear problemas neurológicos, comportamentais, reprodutivos e endócrinos, entre outros.
A segurança na fabricação de produtos químicos ou na utilização destes produtos no processo produtivo foi o tema escolhido pela OIT para lembrar o Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho, celebrado hoje. A OIT também deve divulgar um relatório mostrando a atual situação do uso de produtos químicos e seu impacto nos locais de trabalho, os esforços públicos e privados para lidar com eles, além de sugestões ao poder público, empregadores e trabalhadores para a implementação de políticas e estratégias para a preservação da saúde na utilização de produtos químicos no trabalho.
Pouco conhecidos
No Paraná, a APAMT vai aproveitar a data para sensibilizar os empregadores, trabalhadores e a população em geral para a necessidade da prevenção e proteção em função dos riscos químicos que existem em diversos locais de trabalho, como na indústria química, nos canteiros de obras, nos laboratórios, nos hospitais e em atividades de limpeza, entre outros. Uma grande preocupação no Estado é quanto à aplicação de agrotóxicos no meio rural, onde, muitas vezes, o trabalhador não tem acesso à proteção adequada.
O risco hoje é o longo período de exposição a baixas doses de produtos químicos. "Neste caso, os efeitos são pouco conhecidos, mas de grande impacto, podendo gerar uma população com doenças crônicas desencadeadas por um período de 15, 20 anos de exposição a esses agentes químicos", lembrou Zétola.
O Fórum do Meio Ambiente do Trabalho (FPMAT) do Paraná promove hoje e amanhã um evento sobre a saúde e segurança no trabalho em Curitiba. Além de um seminário com palestras sobre irregularidades comuns no que diz respeito à segurança do trabalhador, o evento ainda terá ações nas ruas para informar o público.


