Cem mil estão desaparecidos em Kosovo
Washington, 18 (AE-AP) - Enquanto as forças da Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan) intensificavam seus ataques à Iugoslávia, o drama dos albaneses étnicos forçados a fugir da província sérvia de Kosovo aumentava.
Neste domingo (18), um carro com uma família de kosovares que seguia para a fronteira com a Albânia passou sobre uma mina, matando cinco pessoas, entre elas três crianças. A explosão ocorreu em Morini, principal ponto de entrada de Kosovo para a Albânia, por onde passaram mais de 23 mil refugiados.
A magnitude das alegadas atrocidades sérvias em Kosovo poderia ter atingido proporções ainda maiores que as imaginadas, com um número de mortos que chegaria a dezenas de milhares, indicou ontem David Scheffer, embaixador do governo norte-americano sobre crimes de guerra à rede de tevê Fox.
"Há pelo menos 100 mil pessoas que não sabemos onde estão", disse Scheffer, acrescentando que as estimativas da Otan de 3,2 mil mortos em Kosovo eram "muito baixas".
O porta-voz militar da Otan, Giuseppe Marani, disse hoje que a aliança tem provas da existência de 43 valas comuns em Kosovo. Segundo Marani, fotos aéreas detectaram tumbas alinhadas "como sepulturas individuais, direcionadas para o sudeste, em direção a Meca".
Duzentos e setenta kosovares, a última leva dos 10 mil refugiados que a Alemanha concordou em receber, chegaram no sábado à noite a Bonn. Já a Bélgica e a França receberam hoje seu primeiro grupo de refugiados. Um avião A-310 aterrissou na base militar de Melsbroek, perto de Bruxelas, com 170 kosovares, entre eles 60 crianças - a Bélgica receberá 1.200 refugiados. Um dos três aviões que deveriam trazer 317 refugiados à França aterrissou hoje em Lyon com 149 kosovares que estavam no campo de Skopje.





