Novos tratamentos para problemas dentários, como a cárie e a perda do dente permanente, é o que prometem as pesquisas com células-tronco, segundo o professor Jacques Nor, chefe de investigação do Laboratório de Engenharia e Biologia Molecular da Universidade de Michigan e membro do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos. Ele veio ao Brasil para a aula inaugural da quarta turma do mestrado em odontologia da Universidade Norte do Paraná (Unopar). A aula, cujo tema é ''Biologia Molecular na Prevenção da Cárie e de Problemas Buco-dentários'' acontece hoje em Londrina.
A idéia, segundo o especialista, que é brasileiro, mas está há 15 anos nos Estados Unidos, é utilizar a capacidade das células-tronco de se transformar em vários tecidos do corpo para regenerar fisiologicamente o dente. Inúmeras pesquisas foram iniciadas na área odontológica depois que se descobriu, em 2000, que a polpa do dente permanente tem células-tronco, e em 2003, que ela também está presente na polpa do dente de leite. ''Os materiais de restauração hoje, por exemplo, amálgama e resina, têm suas limitações. Usar o material orgânico é sempre melhor'', avaliou.
A pesquisa que ele desenvolve, em parceria com outras universidades e pesquisadores, inclusive do Brasil, é para produzir o nervo ou polpa do dente. Ele explicou que uma situação muito comum são crianças sofrerem quedas e fraturarem o dente permanente, que apesar de já estar crescido, ainda não completou o crescimento da raiz. Isso causa a morte do nervo.
Hoje, nestes casos, o procedimento usual é fazer um tratamento de canal, para curar a infecção que se forma. No entanto, o dente continua fraco e mais propenso a quebrar. Uma prótese fixa também não pode ser colocada, já que a criança está crescendo. ''É como uma casa que o alicerce não está legal e podem acontecer problemas'', disse.
Com as células-tronco, a proposta é estimular a formação da polpa para permitir que a raiz se complete e o dente volte a ser sadio. Na sua pesquisa, Nor já conseguiu produzir polpa de dente humano a partir de células-tronco, em camundongos imunodeprimidos. ''Eles precisam estar assim para não rejeitar as células humanas'', explicou.
A expectativa é que em cinco anos a tecnologia chegue às clínicas, mais ainda em fase de pesquisa. ''Hoje, a imagem microscópica dessa polpa produzida em laboratório não se diferencia de de um dente normal'', afirmou.
Outras pesquisas, segundo o professor, buscam nas células-tronco tratamento para a cárie e até mesmo para produzir o dente. ''Existem grupos que estão trabalhando para fazer o dente inteiro, com todas suas funções, para substituir o transplante. Uma pesquisa com uma vacina anti-cárie já acontece na Inglaterra com resultados promissores'', disse. Mas como ainda demora para que toda essa tecnologia esteja disponível ao público, a prevenção continua sendo a melhor pedida.

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