Células-tronco poderão ser utilizadas no tratamento de quem sofre de enfizema pulmonar - é o que mostra uma pesquisa feita na Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Assis. Os resultados, que já são favoráveis, serão apresentados amanhã, em Londrina, durante o 5º Congresso Sul Brasileiro de Cirurgia Torácica. O evento promovido pelas Sociedades Brasileira e Paranaense de Cirurgia Torácica, com apoio da Associação Médica de Londrina (AML) e do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Estadual de Londrina (UEL), tem início hoje, no Boulevard Higienópolis.
O uso de células-tronco pode ser esperança para quem sofre de enfizema pulmonar, segundo o médico clínico e geneticista clínico João Tadeu Ribeiro Paes, coordenador da pesquisa. O trabalho, em parceira com o Instituto de Moléstias Cardiovasculares (IMC) de São José do Rio Preto, também no interior paulista, teve início em 2004, com animais.
O interesse em estudar uma terapia alternativa, ressalta Paes, se justifica pela gravidade da patologia e pelos tratamentos disponíveis hoje. A doença crônica se caracterizada por dispneia (falta de ar) progressiva, que causa grande impacto na qualidade de vida. O paciente sente dificuldade de andar e subir escadas, por exemplo, o que vai se acentuando, até chegar ao ponto, na fase mais grave, da pessoa não conseguir nem mais tomar banho sozinho. A morte ocorre por falência respiratória.
Em cerca de 90% das vezes o enfizema pulmonar tem origem no tabagismo, mas também pode ser causado por poluição ou tem origem genética (2% dos casos). O tratamento clínico feito hoje, explica Paes, inclusive com fisioterapia, melhora os sintomas, mas é paliativo. Outra possibilidade de tratamento é cirúrgico, com redução do volume pulmonar ou transplante de pulmão. ''Mas, são procedimentos altamente complexos e há a dificuldade de achar doadores'', afirma.
Para o estudo com animais, o pesquisador utilizou camundongos isogênicos, que não têm diferença genética entre irmãos, e provocou o enfizema instilando uma enzima chamada papaína, extraída do mamão, que causa destruição pulmonar. Posteriormente foi feita a inoculação de células-tronco extraídas do fêmur, o que levou a resultados favoráveis na reconstituição do pulmão. A partir disso, um projeto de pesquisa em humanos foi submetido e aprovado pelo Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

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