Células-tronco testadas na recuperação da visão
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Agência Estado 
Ribeirão Preto- Desde a primeira semana deste mês, um grupo de pesquisadores usa, pela primeira vez no mundo, células-tronco para tentar recuperar a visão de pacientes com retinose pigmentar, uma doença degenerativa que provoca a morte das células da retina e causa desde a perda gradual da visão até a cegueira total e irreversível. Inicialmente, a meta é verificar a segurança do procedimento e do paciente. Três voluntários, selecionados com critérios, já receberam a aplicação da injeção diretamente na retina e outros dois receberão na próxima semana. O monitoramento, com exames específicos, será mensal e os primeiros resultados poderão surgir a partir de seis meses.
O Brasil tem cerca de 40 mil pacientes com retinose pigmentar, uma doença hereditária que ainda não tem tratamento e pode se manifestar nos primeiros anos de vida, mas também em idade avançada, como aos 40 anos. Os pesquisadores batalharam cinco anos para que a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), vinculada ao Ministério da Saúde, aprovasse o projeto.
Os cinco voluntários, com até 10% de acuidade visual, já tinham sido pacientes do Centro de Pesquisas Rubens Siqueira, em São José do Rio Preto, instituição autorizada para o procedimento. Após a seleção, foram coletadas medulas ósseas, por punções, na altura das bacias dos próprios pacientes, e no Laboratório de Terapia Celular, do Hemocentro de Ribeirão Preto, foram separadas as células-tronco (até 5% numa célula mononuclear). Em seguida, em Rio Preto, após anestesias locais com colírio, foram feitas as aplicações, com injeções, no vítreo do globo ocular (uma espécie de líquido gelatinoso que fica sobre a retina, no fundo de olho). O procedimento da aplicação demora menos de 15 minutos. Os pesquisadores esperam que as células-tronco liberem substâncias que estimulem o funcionamento da retina e resultem na recuperação da visão.


