Células-tronco recuperam coração
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segunda-feira, 01 de março de 2004
Agência Estado 
Rio- Um estudo nacional coordenado pela unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Salvador (BA) comprovou que o uso de células-tronco retiradas de um paciente, processadas e reintroduzidas no coração da mesma pessoa regeneram o músculo nos casos de isquemia e Doença de Chagas. A técnica é mais barata - 10% do valor de um transplante do órgão, mais simples e elimina qualquer risco de rejeição.
A terceira fase da pesquisa, a cargo do Instituto Nacional de Cardiologia Laranjeiras (INCL), vai testar o procedimento em portadores de cardiopatias primárias, como as decorrentes do uso excessivo de álcool e de miocardites virais. Chefe do Setor de Miocardiopatia do Instituto, Helena Martino destaca que os estudos feitos nas primeiras duas etapas, com 28 pacientes, mostraram que a recuperação é muito rápida e, em alguns casos, superaram as expectativas.
''Os resultados foram excelentes. Em três meses o paciente já apresenta melhora. Mas nos surpreendemos com pessoas que, em um mês apenas, iniciaram o processo de recuperação'', conta a pesquisadora, explicando que a técnica traz ainda uma outra vantagem em relação a procedimentos mais complexos como transplante e implante de marcapasso: pode ser aplicada em qualquer paciente, sem limite de idade.
''Ela não é restritiva como as outras. A única limitação observada até agora é a de peso, pois em pacientes obesos fica difícil realizar a punção na medula óssea'', diz a cardiologista.
Helena ressalta que a terapia de células-tronco vai ajudar os cerca de 3 milhões de brasileiros que sofrem de insuficiência cardíaca. A médica diz que o número de casos tem aumentando nos últimos anos e, por isso, a insuficiência cardíaca já é tratada como prioridade pela Organização Mundial de Saúde (OMS). ''Nas pessoas que sofrem deste problema em sua forma mais grave, a taxa de mortalidade é de 40% ao ano'', observa.
Tão logo a terceira fase da pesquisa seja liberada pelo Conselho Nacional de Ética e Pesquisa (Conep), Helena vai iniciar a seleção de 30 candidatos. O procedimento, explica ela, é simples. O paciente é internado e submetido à punção do líquido da medula óssea. Depois, o material é processado no laboratório da própria unidade médica para que as células-tronco sejam separadas e, no mesmo dia, injetado, por meio de um cateter, de volta no portador da cardiopatia.
''As células-tronco vão regenerar as células doentes do músculo. E o melhor, sem qualquer rejeição'', explica a médica, destacando que, em casos de transplante, o paciente tem que tomar drogas para evitar que o órgão seja rejeitado.


