Rio - Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) estão testando uma nova técnica para tratar pessoas que sofreram perda de cartilagem no joelho - lesões comuns em jogadores de futebol e vítimas de acidentes de carro - que poderá substituir o implante de placa metálica usado nesses casos. No mês passado, os médicos começaram a injetar, em duas pessoas, um tipo especial de células (chamadas de tronco) encontradas no que sobra de cartilagem do joelho dos próprios pacientes para tentar regenerar o tecido perdido na outra região do joelho.
O estudo, coordenado pela UFRJ e feito em conjunto com o Instituto Nacional de Traumato-Ortopedia, quer reproduzir os resultados animadores obtidos em uma pesquisa semelhante feita na Suécia em 1998. Lá, os pacientes submetidos ao novo tratamento conseguiram recuperar até 80% do tecido perdido, o que pode significar a volta dos movimentos dos pacientes. E, se a experiência obtiver sucesso, o procedimento poderá começar a fazer parte da rotina hospitalar e até ser financiado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
‘‘Como já temos indícios de que esse método funciona, se o mesmo ocorrer em pacientes daqui, poderemos começar a utilizar a técnica normalmente’’, afirma Radovan Burojevic, professor-titular de Histologia e Embriologia da Faculdade de Medicina da UFRJ e coordenador da pesquisa.
O novo método consiste em retirar a cartilagem restante no próprio joelho dos pacientes e reimplantá-la na região afetada pela lesão causada por movimentos intensos de repetição, como os realizados por atletas, ou por uma colisão, no caso de um acidente de carro ou de moto. A expectativa é que as células-tronco (elas levam esse nome por causa de sua capacidade de se multiplicar e se transformar em qualquer tipo de tecido) contidas na cartilagem consigam, quando reimplantadas, se expandir e recuperar a área danificada.

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