Porto Alegre, 8 (AE) - A Telefonica Celular (Celular CRT) vai utilizar os R$ 260 milhões de aumento de capital a partir da emissão de 874 milhões de ações, anunciado semana passada, em investimentos para expansão e qualificação dos serviços e crescimento do número de clientes. O aporte é uma resposta da empresa, que opera a banda A de telefonia móvel no Rio Grande do Sul, ao acirramento da concorrência desde que a Telet começou a atuar no mercado gaúcho, há quatro meses, na banda B.
Segundo o superintendente financeiro da Celular CRT, Antônio Coronetti, a companhia aumentou o número de assinantes de 380 mil para 588 mil entre março de 1998 e março de 1999 e hoje já chega perto dos 700 mil. Este crescimento exige, de acordo com ele, maior qualidade nos serviços e aumento da cobertura do sistema, mantido por uma rede de mais de 600 estações radiobase no RS.
O superintendente disse que o valor de emissão, de R$ 0 2975 por ação, acima da cotação atual na Soma (Sociedade Operadora de Mercado de Ativos), de R$ 0,27, foi estabelecido pela média ponderada das negociações do papel entre os dias 17 e 31 de maio. Este foi o período inicial de negócios com as ações da empresa, depois de sua cisão da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT) fixa.
De acordo com Coronetti, se os 360 mil acionistas não optarem pela subscrição até a data limite de 5 de julho, a Telefonica o fará. Hoje o grupo espanhol, que controla também a CRT fixa, tem 32% do capital total da Celular, sendo 85% das ações ordinárias e 1,27% das preferenciais.
O executivo explicou ainda que a empresa está negociando há sete meses uma linha de financiamento de longo prazo e a "taxas compatíveis" com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para alongar e reduzir o custo do endividamente atual, a maior parte em dólar. O dinheiro do aumento de capital, portanto, não deverá ser empregado com esta finalidade.
O superintendente não revela o valor da operação negociada com o BNDES, mas acredita que a liberação deve ocorrer ainda este ano. "Praticamente todas as empresas de telecomunicações estão na fila", comentou.
Conforme a última Informação Trimestral de Resultados (ITR), a Celular CRT carrega uma dívida onerosa total de R$ 337 3 milhões, sendo quase 90% em moeda estrangeira. O impacto da desvalorização cambial sobre este estoque foi o principal responsável pelo prejuízo de R$ 52 milhões no período.

mockup