Brasília, 20 (AE) - Uma semana marcada por polêmicas inicia-se hoje no Congresso Nacional. Os debates mais calorosos deverão ocorrer no Senado, onde serão ouvidos o prefeito de São Paulo, Celso Pitta, e a chefe do departamento de Fiscalização do Banco Central, economista Teresa Grossi. Ambos estarão na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. A economista é esperada às 17 horas de amanhã para a sabatina que precederá a votação da indicação de seu nome para ocupar o cargo de diretora de Fiscalização do Banco Central. A oposição está indignada com a indicação, por entender que Tereza Grossi teve participação na operação de ajuda do Banco Central aos bancos Marka e FonteCindam.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), normalmente tranquilo
chegou a dar um soco na tribuna do senado, na última quinta-feira, ao protestar contra a insistência do presidente Fernando Henrique Cardoso em manter a indicação de Tereza Grossi. Na quarta-feira, será a vez de Celso Pitta testar a artilharia da oposição. Ele explicará o acordo de renegociação da dívida da prefeitura paulistana com a União, no valor de R$ 12 bilhões. A oposição quer mudar o acordo para rolar por apenas 10 anos os títulos emitidos irregulamente para pagamento de precatórios. O acordo prevê essa rolagem por 30 anos, mas foi assinado num momento em que o prefeito ainda não estava fragilizado pelas denúncias de corrupção de sua ex-mulher.
Lei fiscal - A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado terá tempo amanhã, às 14 horas, para discutir o projeto que cria a Lei de Responsabilidade Fiscal. Na avaliação dos governistas, o projeto é o segundo mais importante em tramitação no Congresso. O assunto será debatido com o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Martu s Tavares, e pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier. O projeto mais importante, o do Orçamento Geral da União para este ano, começará a ser discutido amanhã, na Comissão Mista que trata do assunto. A expectativa do relator da matéria, deputado Carlos Melles (PFL-MG), é a de votar o projeto na Comissão nesta semana e no plenário do Congresso até o fim do mês. Na Câmara, amanhã, haverá um teste sobre a mobilização dos governistas, durante a votação dos destaques à emenda constitucional da Reforma do Judiciário. Os partidos da base aliada obstruiram a votação na quarta e quinta-feira passadas para evitar derrota na chamada "Lei da Mordaça", que restringe a divulgação de informações sigilosas pelos procuradores. Diante da ameaça da oposição de bloquear outras votações, o PSD anunciou que amanhã votará de qualquer forma, com ou sem quórum.

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