Curitiba- O juiz Rogério Etzel deverá marcar para o próximo semestre o julgamento de mais dois dos sete acusados de terem matado Evandro Ramos Caetano, de seis anos, num suposto ritual de magia negra em abril de 1992. Deverão ser julgados Airton Bardelli dos Santos e Sérgio Cristofolini. O Ministério Público (MP) estadual acusa os dois de terem participado do crime. Bardelli era funcionário da serraria onde o suposto ritual macabro teria acontecido. Cristofolini teria auxiliado a planejar o sequestro do menino, no dia 6 de abril do mesmo ano. ''Vou estudar a situação processual dos dois, verificar se existe condições para um júri e deverei marcar o julgamento para o próximo semestre'', disse o magistrado.
O julgamento de Celina e Beatriz Abagge, acusadas de serem as mandantes do crime, deve ficar para o ano que vem. Elas foram julgadas em 1998 e absolvidas. Os jurados acreditaram não havia elementos suficientes que comprovassem que o corpo era mesmo de Evandro. A decisão do maior julgamento da história do País, durou 34 dias, foi anulada pelo Tribunal de Justiça (TJ). A defesa de Celina e Beatriz Abagge entrou com um recurso especial no TJ, que negou seguimento ao recurso. A defesa resolveu entrar com agravo de instrumento no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que irá analisar ou não o recurso especial, dependendo do entendimento dos magistrados.
Enquanto prosseguem os recursos especiais, o Tribunal do Júri pode marcar um novo julgamento. ''Um júri como esse demanda uma infra-estrutura grande, planejamento prévio para garantir a incomunicabilidade dos jurados. Ele não pode ser feito sem o cuidado adequado. Temos ainda que dar prioridade, por força legal, aos casos envolvendo réus presos. Se tivermos o júri de Crisfolini e Bardelli dos Santos, não teremos estrutura para comportarmos ainda esse ano um novo julgamento de Celina e Beatriz Abagge'', ponderou.
Foram condenados na semana passada, num júri que durou seis dias, os pais-de-santo Osvaldo Marcineiro e Vicente de Paula Ferreira (homicídio triplamente qualificado e sequestro) e o ajudante de terreiro Davi dos Santos Soares, condenado por homicídio. Os dois primeiros pegaram pena de 20 anos e dois meses de prisão cada um, Soares vai cumprir pena de 18 anos e quatro meses de prisão. O Código Penal Brasileiro prevê para esse tipo de crime penas que podem variar entre 12 anos e 30 anos. A pena é aumentada de um terço quando o crime for cometido contra menores de 14 anos. ''A pena não foi rigorosa. Ficou próximo do mínimo legal'', salientou Etzel, que decretou prisão preventiva depois do julgamento contra todos os acusados.

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