Curitiba - As rés no processo que apura a morte do menino Evandro Ramos Caetano, 7 anos, Celina e Beatriz Abagge, devem ir a novo julgamento. O menino teria sido brutalmente assassinado em abril de 1992, em um suposto ritual de magia negra. O caso ocorreu no Litoral do Paraná e ficou conhecido como o das ''bruxas de Guaratuba''. Na terça-feira, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), por votação unânime, indeferiu o pedido de habeas corpus para as duas, ao julgar o mérito da ação.
Após serem absolvidas pelo júri popular em 1998, em um julgamento de 34 dias, apontado como o mais longo da história do País, em 2006, o Ministério Público estadual recorreu da sentença e pediu novo julgamento.
A defesa de Celina e Beatriz havia pedido habeas corpus no STF na tentativa de anular as decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná. As duas instâncias anularam a sentença do Juízo de São José dos Pinhais em que foram absolvidas dos crimes de homicídio qualificado, sequestro e ocultação de cadáver do menino.
De acordo com o advogado Antonio Figueiredo Basto, que as defendeu durante muitos anos, o processo é marcado por contradições e dúvidas. A primeira dúvida, segundo ele, é que não há comprovação de que houve o crime. ''Na época, eu mostrei que as provas foram forjadas. Os álibis delas eram perfeitos. Tanto é assim que elas foram absolvidas'', afirmou o advogado.
Na época do julgamento, a defesa levantou dúvida sobre as provas que confirmavam ser do menino Evandro o corpo periciado. Já o MP e o STF reconhecem o exame de DNA e o laudo da arcada dentária realizados durante o processo válidos para embasar um novo julgamento.

mockup