Celina diz que confia na absolvição: ''Não há prova''
Curitiba- Em entrevista à Folha, Celina Abagge disse estar tranquila com o resultado de um novo julgamento. ''Não existe prova de nada nos autos. Não cometemos qualquer injustiça contra os outros. Estamos sim sendo alvos de injustiça'', afirmou. Aos 65 anos, Celina afirmou que se sente constrangida de ir a julgamento novamente por causa dos netos. ''Vai ser um transtorno tudo isso de novo na vida da gente. Os meus netos vão ser incomodados na escola e terão que enfrentar todo o tipo de guerra psicológica. Vai ser muito difícil'', disse.
Ela e a filha Beatriz passaram quase quatro anos presas na Penitenciária Feminina de Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba. E outros dois anos em prisão domiciliar. ''A gente morria de medo. Não saía, não se comunicava com ninguém. Tínhamos muito pavor'', relatou. Celina está viúva desde 1995, quando o prefeito afastado de Guaratuba, Aldo Abagge, morreu vítima de um câncer provocado por úlcera nervosa.
Celina alegou que chegou a confessar a ''encomenda'' do assassinato de Evandro depois de ter sido supostamente torturada e depois de assistir a própria filha sendo estuprada. ''Eu falava na fita cassete divulgada para a imprensa aquilo que eles queriam que eu falasse. Eu fui obrigada a falar, a confessar um crime que não cometi. Repetia o que eles me mandavam dizer'', justificou Celina. A família Abagge não entrou ainda com qualquer ação indenizatória contra o Estado. ''Nosso interesse não é esse. Nosso interesse é provar nossa inocência, recuperar nossa moral e nosso nome'', concluiu.
De todos que foram denunciados pelo MP, apenas Osvaldo Marcineiro está preso desde agosto do ano passado, quando foi denunciado por estelionato.(L.P.)





