Apesar de 48% dos padres brasileiros acharem que o celibato é importante para sua vocação, nem todos assumem esse compromisso com serenidade. A constatação foi feita através de uma pesquisa divulgada ontem durante a 42 Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Indaiatuba (SP). Setecentos e cinquenta e oito padres responderam ao questionário que resultou no relatório do Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris). O encontro está discutindo o perfil e o comportamento dos padres no País.
Segundo o levantamento, 94% dos padres que responderam ao questionário confirmaram a opção pelo sacerdócio, afirmando que escolheriam a mesma vocação, se tivessem de recomeçar. Embora apenas 1% dos entrevistados tenha dito que optaria pelo casamento, esse baixíssimo índice significa que não há adesão maciça ao celibato obrigatório. Essa é uma exigência que divide o clero, já que 41% consideram que ele deveria ser facultativo para o clero diocesano (que não faz os votos religiosos de pobreza, obediência e castidade).
A pesquisa revelou que também 41% dos padres tiveram envolvimento afetivo com mulheres, depois de ordenados. ''Isso significa relações sexuais'', informou o sociólogo Luiz Alberto Gómez de Souza, diretor do Ceris, ao comentar os resultados. A convivência com mulheres foi considerada difícil por 12% dos padres ouvidos.
Com relação à homossexualidade, que a Igreja considera antinatural, 68% dos padres concordam que é uma patologia que precisa ser tratada. Para 69% dos entrevistados, a homossexualidade é uma orientação sexual que deveria ser vivida com castidade, ou seja, sem prática de homossexualismo.
O papa João Paulo II mandou um recado para os participantes da assembléia da CNBB, anteontem, na abertura da reunião. ''Tenham muito cuidado na formação dos seminaristas, para evitar no futuro a ordenação de sacerdotes que possam escandalizar os fiéis'', advertiu o núncio apostólico Lorenzo Baldisseri, falando, a portas fechadas, para um auditório de quase 300 bispos.
A advertência de João Paulo II foi interpretada pelos bispos e seus assessores como clara alusão aos escândalos sexuais que envolvem sacerdotes em várias partes do mundo, especialmente nos Estados Unidos. Embora o problema não seja considerado tão grave no Brasil, o recado do papa é oportuno, porque chega bem na hora em que o episcopado se debruça sobre os dados da pesquisa a respeito da situação dos padres.

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