Porto Alegre, 21 (AE) - A Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) vai aplicar R$ 71,7 milhões em recursos próprios em três anos para quase quadruplicar sua capacidade instalada de geração de energia no período. Hoje a estatal produz 82 MW, 3,9% do consumo do Estado, e até o final de 2002, com os investimentos em participações na construção de novas usinas térmicas e hidrelétricas, terá controle sobre quase 300 MW. Num prazo mais longo, de cinco anos, a capacidade subirá para mais de 500 MW.
O empreendimento mais recente é o anúncio da construção de uma termoelétrica a gás na região de Joinville, com 300 MW de potência, chamada de Termocatarinense Norte (TCN). O governo estadual abriu esta semana, por intermédio de convite distribuído pela Internet (www.sc.gov.br), o período de seleção de um parceiro privado para o projeto. A usina terá a participação minoritária de 15% dividida entre a Celesc, a SC Gás, estatal que fornecerá o combustível trazido pelo gasoduto Bolívia-Brasil, e a Petrobras.
Além da TCN, a Celesc tem uma participação de 14,6% na hidrelétrica de Machadinho, que deverá começar a operar no final do primeiro semestre de 2002. A usina fica no Rio Uruguai e terá capacidade para gerar 1.140 MW. A estatal detém ainda 23% da Hidrelétrica de Dona Francisca, no Rio Grande do Sul, que entrará em funcionamento no primeiro semestre do ano que vem com 123 MW.
Mais adiante, em 2005, a Celesc terá direito a mais 220 MW, correspondente a 25% da hidroelétrica de Campos Novos, que começará a ser construída este ano. A usina foi licitada em agosto de 1998 e a estatal catarinense venceu a disputa no consórcio Enercan, que inclui ainda a paranaense Copel, a gaúcha CEEE, a Inepar e a alemã Ínix.
"Vamos aproveitar as novas regras do mercado de energia
que permitem a participação da iniciativa privada, para aumentar a produção no Estado", comentou o vice-governador e presidente do Grupo Executivo de Energia do governo, Paulo Bauer. Santa Catarina tem um consumo de 2.080 MW e produz internamente apenas 900 MW, a maior parte na termoelétrica Jorge Lacerda, que pertence à Gerasul.
Orçada em US$ 150 milhões, a TCN deverá entrar em operação em primeiro de dezembro de 2002. A Celesc garantirá a compra de toda a energia gerada, numa região marcada pela presença de um grande contingente de indústrias metal-mecânicas e têxteis. "É o pólo consumidor mais importante do Estado", comentou o vice-governador.
Em contrapartida ao contrato de venda para a Celesc, a empresa ou consórcio escolhido para a construção da termoelétrica deverá investir US$ 30 milhões até abril de 2002 em obras de ampliação da infra-estrutura energética do Estado. Conforme a carta-convite, os projetos serão definidos pelo Grupo Executivo e negociados com o empreendedor num prazo de 180 dias após a escolha do vencedor.
Para um horizonte de quatro a cinco anos, Bauer prevê uma geração de cerca de 6 mil MW no Estado, a maior parte nas mãos de empresas privadas. Ainda este ano deve entrar em funcionamento a hidroelétrica de Itá, também no Rio Uruguai, mas sem a participação da Celesc. Em abril a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) vai selecionar as propostas para a construção das hidroelétricas de Barra Grande, com 690 MW na região de Lages, e de Quebra-Queixo, com 150 MW na área de Chapecó.

mockup