Nova York, 04 (AE-NEWSWEEK) - Mavis Leno, mulher do animador norte-americano de um programa noturno de TV, Jay Leno, não faz papel de celebridade. Ninguém a vê à mesa do Mortons ou badalando na festa do Oscar. Mas no fim do ano passado ela apareceu no programa Larry King Live, da CNN, com o marido ao lado. Um mês depois, repórteres da revista People a visitaram em sua casa.
Mais recentemente, ela se tornou figura frequente na NBC - aparece no programa matinal Today e no Tonight Show, de Jay. Mavis Leno não ambiciona autopromover-se. Presidente da Campanha da Maioria Feminista para Acabar com o Apartheid dos Sexos no Afeganistão, ela está decidida a atrair a atenção do público para a triste sorte das mulheres e mães afegãs.
Segundo as normas impostas pelo regime da milícia Taleban, elas têm de cobrir o corpo inteiro com o burqa, geralmente não podem trabalhar, frequentar escolas nem mesmo sair de casa sem um parente próximo, do sexo masculino.
Para defender sua causa, Mavis fez mais que superar sua timidez inata: no verão passado, num gesto bem divulgado, ela e Jay doaram US$ 100.000 à campanha. "Nunca vou abandonar essas mulheres", diz.
O Afeganistão tornou-se a última causa de Hollywood. Meryl Streep, Geena Davis, Sidney Poitier e Melissa Etheridge aderiram. Aproveitando a publicidade criada por seus simpatizantes célebres, a Maioria Feminista inundou a Casa Branca e o Departamento de Estado com 100.000 petições, cartas, e-mails e faxes.
Suas reivindicações: que os Estados Unidos cortem a ajuda aos países que reconhecem o Taleban, aumentem a assistência humanitária às afegãs e abram as portas a refugiadas afegãs. "Ter Mavis Leno e outras celebridades participando desta causa faz uma grande diferença", diz Mary Diaz, diretora da Comissão Feminina de Mulheres e Crianças Refugiadas, um grupo de defesa de seus direitos com sede em Nova York. Entre as pessoas importantes que na Europa apóiam a causa figuram Emma Bonino, ex-comissária de Assuntos Humanitários Europeus; Danielle Mitterrand, viúva do ex-presidente francês François Mitterrand; e Ana Aznar, esposa do primeiro-ministro espanhol, José María Aznar.
Nem todos recebem a pressão de bom grado. Funcionários do Departamento de Estado dos EUA dizem que a iniciativa da Maioria Feminista é mais emocional do que prática. E grupos humanitários alegam adotar uma atitude mais realista, dando assistência médica e ensino a afegãs refugiadas no Paquistão - tudo sem a menor atenção da mídia, conquistada pelo pessoal de Hollywood.
A iniciativa mais controvertida da Maioria Feminista tem sido o esforço a favor de refugiadas específicas. Em setembro o grupo conseguiu vistos de entrada nos EUA para 17 afegãs. "Não é justo nem conveniente que a Maioria Feminista defenda casos individuais que chegam à atenção de Mavis por meio de um amigo que conhece uma mulher afegã que tem acesso a uma máquina de fax", diz um funcionário do Departamento de Estado. "No fim do ano, quero ter a certeza de que aprovei os casos mais desesperadores."
Mavis e todas as celebridades do mundo não podem isoladamente salvar as afegãs. Mas certamente já houve quem usasse a fama para objetivos bem menos válidos.

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