Celebrações marcam Semana Santa; páscoas cristã e judaica são celebradas na mesma data
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segunda-feira, 17 de abril de 2000
Por Lilian Santos e Luciana Miranda 
São Paulo, 18 (AE) - A Semana Santa é marcada por várias celebrações, uma delas é a cerimônia do Lava-Pés, que representa a entrada de Jesus em Jerusalém. Conhecida como prova de humildade, a cerimônia ocorre quinta-feira, após a bênção dos óleos, usados para batismo, crisma, unção dos enfermos e ordenação dos sacerdotes. "Os padres renovam o compromisso sacerdotal e recebem uma carta do papa", explica o monsenhor Arnaldo Beltrami.
Na Sexta-Feira Santa, às 15 horas, a Paixão de Cristo relembra o momento em que Jesus entregou sua vida por amor ao próximo. Nesse mesmo dia, várias paróquias fazem a procissão do Nosso Senhor Morto, que há 450 anos sai da Catedral da Sé e segue até o Pátio do Colégio. A Via-Sacra, evento organizado pelo padre Júlio Lancellotti, e realizado há dez anos na cidade de São Paulo, lembra o trajeto do calvário de Jesus. A concentração será às 9 horas da sexta-feira, no Largo de São Bento, e passará por ruas centrais, terminando na Praça da Sé.
Paixão - Há 20 anos encenado nos Arcos da Lapa, no Rio, o espetáculo "Auto da Paixão de Cristo" será apresentado pela primeira vez em São Paulo. Com direção de Ginaldo de Souza, a história dos últimos momentos de Jesus Cristo é trazida para a cidade com o objetivo de tornar-se calendário fixo nos eventos do Pólo Cultural e Esportivo Grande Otelo (sambódromo). A iniciativa partiu da Arquidiocese de São Paulo e da Anhembi Turismo e Eventos, com o apoio da Prefeitura.
A trama será representada por 112 artistas, no palco de três andares, ao ar livre, no setor 3 do Pólo Cultural, a partir das 19 horas de sexta-feira. Trinta e três mil espectadores sentados e outros 7 mil em pé poderão assitir ao espetáculo gratuitamente. "A cidade merece um evento religioso dessa grandeza" disse o presidente do Anhembi, Raphael Mário Noschese.
O Sábado de Aleluia representa a anunciação da ressurreição de Cristo. Nesse dia, há a bênção do fogo e da água. Na bênção do fogo, do lado de fora da igreja, é aceso o Círio Pascal, uma vela de quase 1,5 metro. Em seguida, todos os fiéis caminham para o interior da igreja com velas acesas nas mãos. É feito o anúncio do "Exultet", cântico de gratidão a Deus por tudo que foi criado. A cerimônia segue com a bênção da água batismal e todos renovam seus compromissos com Deus. O Círio Pascal fica aceso até o dia 11 de junho, quando se comemora o Pentecostes.
Na Paróquia do Terço Bizantino, a missa do Sábado de Aleluia será realizada às 18 horas, pelo padre Marcelo Rossi e por dom Fernando Antônio Figueiredo. A Semana Santa termina com a celebração da missa da ressurreição no Domingo de Páscoa, às 9 horas, com sermão de dom Cláudio Hummes, arcebispo de São Paulo. Comemoração judaica - Amanhã à noite começam as comemorações do Pessach - a Páscoa judaica. A celebração é móvel no calendário judaico, mas este ano coincide com a Semana Santa. Durante oito dias, os judeus relembram a libertação dos escravos hebreus no Egito, fato ocorrido há 3.500 anos. Para o rabino Henry Sobel, presidente do Rabinato da Congregação Israelita Paulista, o principal desejo dos judeus durante o Pessach é liberdade para todos os homens, independentemente da religião que seguem.
Nas duas primeiras e nas duas últimas noites do Pessach, as famílias reúnem-se para a ceia de confraternização - o seder. Cada alimento servido lembra o tempo da escravidão do povo hebreu. Ervas amargas representam a amargura; a água salgada simboliza as lágrimas dos escravos. A matsá - pão ázimo, sem fermentação, também conhecido como pão da aflição - foi alimento dos hebreus quando fugiam do Egito. Sem tempo para que a massa do pão crescesse, os hebreus foram obrigados a assá-lo sem fermentação.


