CEI investiga denúncia sobre funcionários fantasmas na prefeitura
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segunda-feira, 07 de junho de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 08 (AE) -A Câmara Municipal de Campinas aprovou ontem (07) à noite, por unanimidade, a instauração de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar denúncias de irregularidades no funcionalismo público. O Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais acusa a administração do prefeito Chico Amaral (PPB) de manter funcionários fantasmas. A Comissão também vai apurar os gastos com a folha de pagamento.
"Vamos repassar para a CEI todas as informações de que dispomos", disse o diretor do sindicato, Fábio Custódio. Segundo ele, a prefeitura mantêm atualmente um número excessivo de servidores comissionados. "Há cerca de 420 funcionários em cargos de confiança", diz o sindicalista. Para Custódio, o número de comissionados não deveria passar de 60. O elevado número de comissionados é apontado pelo sindicato como principal motivo da crise financeira que a prefeitura atravessa.
Greve - O déficit mensal chega a R$ 9 milhões, segundo dados da administração municipal. Só com a folha de pagamento o município gasta R$ 28 milhões por mês. Para reduzir os gastos, o prefeito determinou o corte de vários benefícios trabalhistas, o que motivou uma greve do funcionalismo que já dura 26 dias.
Amaral alega que o corte dos benefícios resultaria numa economia de R$ 300 mil por mês. O sindicato dos servidores afirma, porém, que se a prefeitura demitisse a maior parte dos comissionados, a redução de gastos seria maior. A CEI pretende investigar o fluxo de caixa da prefeitura para descobrir se contratações supostamente indevidas estariam provocando o rombo no orçamento.
"Há muito tempo estamos solicitando explicações da secretaria municipal de Finanças, mas até hoje não obtivemos resposta", disse o vereador Sebastião Arcanjo (PT). "A CEI será uma oportunidade para demonstrar à população que não há irregularidades na administração municipal", rebateu o vereador Antonio Rafful (PPB), líder do governo na Câmara.
Amanhã (09), os servidores municipais pretendem fazer o Dia Municipal do Impeachment. Sustentando uma greve que afeta as redes de saúde e educação, eles querem aumentar as adesões a um abaixo-assinado pedindo a cassação do mandato do prefeito. O documento, que segundo o sindicato já conta com mais de dez mil assinaturas, será entregue aos vereadores, para abertura do processo visando o afastamento de Amaral.
A estratégia do sindicato é fazer um "corpo a corpo" com a população, em várias regiões da cidade. "Queremos unir forças para mudar essa situação", disse Maria de Fátima Andrade Dias, uma das coordenadoras do movimento. O prefeito chegou a pedir "uma trégua" aos grevistas, mas a categoria não aceitou. Segundo os líderes da paralisação, o funcionalismo só volta ao trabalho se a administração municipal pagar os benefícios a que os trabalhadores têm direito.


