Londrina - Professores e funcionários do Centro de Educação Infantil (CEI) Vivendo e Aprendendo, no Conjunto Ernani Moura Lima (Zona Leste de Londrina), cruzaram os braços ontem por atraso no pagamento dos salários. Os rendimentos referentes ao mês de novembro e a primeira parcela do 13º não foram depositados.
Em protesto, os portões da creche permaneceram fechados durante todo o dia. A paralisação atingiu diretamente 82 famílias, que dependem dos serviços da instituição. ''O jeito foi pedir ajuda para a sogra'', contou o cobrador Samuel Oliveira, pai de duas crianças matriculadas na creche.
A instituição é uma das 67 filantrópicas do município, onde são atendidas 6.828 crianças. A CEI Vivendo e Aprendendo tem cinco professores e o piso da categoria é de R$ 602. Os cinco técnicos-administrativos recebem R$ 545 cada. Os profissionais reclamam que atrasos nos salários são recorrentes.
Marcia Beneti integra o quadro de professores desde fevereiro e em poucas oportunidades recebeu o pagamento em dia. ''Desde que entrei enfrento esse problema. Para você ter noção, o salário de agosto foi depositado apenas no dia 25 de setembro'', disse.
Sem pagamento, muitos funcionários tiveram problemas financeiros neste fim de ano. ''Todo mundo quer receber com a proximidade das festas e não dá para ficar com as contas atrasadas'', disse a professora Marcia Marques. ''Você não consegue se programar'', reclamou outra professora, Geli Mendes Ramalho. As funcionárias garantiram que só voltarão ao serviço com os depósitos feitos.
Nenhum responsável pela instituição atendeu a reportagem da FOLHA. A gerente de Gestão Escolar da Secretaria de Educação, Simone Magrinelli, explicou que município reteve o repasse para a creche por problemas na documentação. A Associação Londrinense de Artesãos, mantenedora da CEI, não teria encaminhado extratos bancários e recibos para os depósitos. ''Os documentos só foram apresentados na última sexta-feira. Os dados já foram atualizados e o dinheiro deve ser liberado em breve'', garantiu. A CEI recebe pouco mais de R$ 10 mil por mês do município. O prazo para repasse do dinheiro é de duas semanas. A creche, portanto, só deve ser reaberta em 2012. O ano letivo municipal termina sexta-feira.
Esta foi a nona greve em creches filantrópicas neste ano em Londrina. Em todas as ocasiões o problema foi o mesmo -atraso nos salários. Para o tesoureiro do Sindicato dos Professores das Escolas Particulares de Londrina (Sinpro), Diego Mendes, o panorama mostra o despreparo de muitas mantenedoras. ''Eles dizem que são filantrópicos, mas não são porque não há nenhum trabalho voluntário nessas instituições. São associações que muitas vezes não têm sede, diretoria regular ou prestação de contas. A gente percebe que elas não têm condições'', criticou.
Outro problema apontado pelo sindicalista é que os professores desses centros filantrópicos estão ''desamparados''. ''Eles são profissionais privados, mas não têm patrões, e exercem atividade inerente ao município. Os professores recebem apenas os salários e não têm qualquer benefício como os servidores públicos, como plano de saúde. É uma lacuna que o município tem que repensar para o futuro'', concluiu.

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