Guarulhos, SP, 15 (AE) - Termina amanhã (16) o prazo para que a Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Guarulhos emita relatório final sobre as denúncias e informações divulgadas no caderno especial Câmara das Facilidades.
Desde sua instauração, há 15 dias, a CEI permanece na estaca zero. O grupo insiste em ouvir, apenas, o prefeito Jovino Cândido (PV), a principal testemunha da representação encaminhada pelo deputado Elói Pietá (PT) ao Ministério Público contra os vereadores.
O prazo da investigação deve ser prorrogado amanhã por mais 15 dias. O trabalho da pode estender-se pelo período de recesso parlamentar, em julho. Um fato curioso é a dificuldade e a insistência de convidar o prefeito para depor. "A comissão decidiu ouvi-lo primeiro para depois tomar outras decisões", diz o presidente da CEI, Paulo Sérgio Rodrigues Alves (PPB).
"Como não conseguimos encontrá-lo, publicamos a convocação na imprensa local e ele tem de manifestar-se sobre o depoimento." Cândido esteve em um evento público na sexta-feira
sobre a discussão de plano diretor para a cidade, na Universidade de Guarulhos.
Apesar de ter sua presença divulgada em jornais, nenhum dos vereadores membros da CEI estavam lá para notificá-lo do depoimento. Cândido disse ao Estado que iria depor no dia 5, acompanhado de seus advogados. "Mas acho que o deputado deveria ser ouvido primeiro", disse o prefeito.
Pietá afirmou que as investigações em Guarulhos não seguem um caminho lógico. "Se eu fosse membro da CEI, ouviria quem fez as denúncias, mas eles têm esperança que o prefeito negue", disse. "Caso seja convocado, repetirei o que está na representação." O depoimento do deputado nem sequer foi cogitado. "Mandamos ofício à Assembléia para que ele ratifique as acusações", diz Alves. "Ainda não recebi nenhum ofício ou convocação", rebate Pietá.
Os trabalhos da comissão poderiam andar mais depressa se o grupo optasse por ouvir outras testemunhas. Na quarta-feira, o vereador petista Edson Albertão deixou a CEI por não acreditar em sua seriedade. "Temos várias pessoas para ouvir e todos insistem no depoimento do prefeito." Albertão chegou a fazer o cronograma de depoimentos de outras pessoas.
Segundo ele, além de Pietá, poderiam ser ouvidos o dono da empresa Tupã, concessionária do transporte coletivo, Osias Vaz; Antonio Nour, dono da Quitaúna; e um representante da Elotec.
Se sua sugestão fosse seguida, amanhã deporiam os ex-prefeitos Paschoal Thomeu, Vicentino Pappotto e Néfi Tales. Nos demais dias, Antônio Raimundo, presidente da Próguaru, o ex-candidato a prefeito Carlos Alberto Campos e duas ex-secretárias de Governo.

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