Cegos recusam tratamento diferenciado
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quarta-feira, 17 de agosto de 2005
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Cego é deficiente físico sim, precisa de ajuda em alguns momentos, porém não precisa ser tratado de forma diferente das outras pessoas por isso. É o que atesta o professor Leomir Barbosa Bill, especialista na área de deficiência visual. O que Bill defende é que muitas pessoas tratam os cegos de forma diferenciada porque prejulgam que eles são menos capazes. ''Não tem razão de uma pessoa se levantar no ônibus para dar lugar para um cego se ele for jovem e forte o suficiente para ficar em pé. Mas se uma pessoa está transitando por perto de um cego e vê um obstáculo que ele dificilmente vai identificar com a bengala, como um orelhão, deve alertá-lo'', exemplifica o professor. ''É preciso apenas dar orientação à população.''
''A história mostra que os cegos serviam para pedir esmola. Com o tempo o preconceito foi diminuindo, principalmente depois do surgimento do braile, em 1849'', explica Bill. O professor entende que um cego pode fazer todas as coisas que as pessoas que enxergam fazem. Porém, para Bill, o que ainda resta de preconceito, ou estigma, muitas vezes é culpa do próprio deficiente. ''Alguns não acreditam em sua capacidade ou muitas vezes se acomodam com benefícios do governo para os deficientes e não procuram evoluir'', afirma. Isso significa que em muitas coisas os cegos não precisam de ajuda. ''E a sociedade precisa se acostumar a isso. Se um cego diz que não precisa de ajuda para atravessar uma rua a pessoa não deve se espantar ou ficar ofendida, como muitas vezes acontece.''
Para não causar este tipo de confusão, o que muitas vezes até atrapalha os deficientes em vez de ajudá-los, o professor defende que haja uma maior divulgação à sociedade de como as pessoas podem agir diante de um deficiente visual. ''É importante alertar sobre buracos, obstáculos vazados embaixo e por isso fora do alcance da bengala - como caminhões estacionados, por exemplo -, locais com muito barulho, o que prejudica na orientação, ou objetos que por alguma razão estão fora do normal ou mudaram de lugar'', explica.


