Curitiba- A classe médica brasileira lança hoje em Curitiba um manual com a nova classificação da cefaléia, nome científico dado para as dores de cabeça. A intenção é deixar claro os tipos principais de dores que atingem mais de 152 milhões de brasileiros. A cefaléia pode ser classificada como esporádica (quando acontece num intervalo entre sete e 12 dias), tensional (dor de cabeça frequente com menos intensidade), crônica diária (quando ocorre todos os dias) ou enxaqueca (mais forte, pode provocar náuseas e vômitos).
Estudos demonstram que mais de 90% da população brasileira já sentiram algum tipo de dor de cabeça. ''Anormal é quem nunca teve algum tipo de cefaléia, de dor de cabeça. Esse é um problema comum. A intensidade é que pode se transformar num grande problema'', afirma o neurologista Carlos Bordini, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (SP) e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cefaléia.
A cefaléia é também uma das principais preocupações da Organização Mundial da Saúde (OMS) com relação a doenças crônicas. No Brasil, um estudo feito no ano passado pela Sociedade Brasileira de Cefaléia, com sede em São Paulo, revelou que 20% das mulheres sofrem de enxaqueca. Se for olhado apenas o universo masculino, o índice chega a 7%. Geralmente hereditária, a doença perturba o desenvolvimento das atividades domésticas e profissionais diárias. As características principais da doença são dores fortes em mais de um lado da cabeça, piora com qualquer tipo de esforço físico, pulsação, vômitos, náuseas e sensibilidade à luz. ''A pessoa pode conviver com a doença, mas a qualidade de vida fica comprometida. A causa geralmente está ligada com a variação dos hormônios femininos ou com a hereditariedade'', analisa Bordini.
Os estudos revelaram ainda que 1% da população brasileira tem dores de cabeças todos os dias. A maior parte ocasionada pelo uso de analgésicos todos os dias. ''É uma verdadeira epidemia. Quem tem dor de cabeça tem que estar consciente que o uso excessivo de analgésico faz mal. Perpetua a doença, leva à intolerância. Os analgésicos têm que ser suprimidos e a gente só consegue isso com educação, educação e educação'', avalia. O uso de analgésicos pode ainda ter consequências para a saúde como comprometimento renal ou gástrico e lesões irreversíveis no fígado. O tema está sendo debatido até amanhã em Curitiba por médicos de todo o País. A doença pode aparecer em qualquer idade. Em 80% dos casos, os pais têm enxaqueca e a doença se manifesta nos filhos antes dos 20 anos.

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