Rio, 16 (AE) - A Caixa Econômica Federal (CEF) anunciou hoje a meta de renegociar este ano 355 mil dos cerca de 1 milhão de contratos habitacionais que, segundo a instituição, apresentam ou podem vir a apresentar desequilíbrios financeiros. Incluem-se aí, basicamente, os contratos cobertos pelo Fundo de Compensação de Variação Salarial (FCVS) e os regidos pela equivalência salarial. Se a estratégia der certo, a Caixa espera acrescentar a seus cofres este ano R$ 1,6 bilhão.
Segundo o presidente da CEF, Emílio Carazzai, a prioridade da instituição é atingir imediatamente os 204 mil mutuários que, até março de 1998, pagavam prestações mensais abaixo de R$ 25. Tratam-se de contratos de equivalência salarial que, em média, segundo o cálculo da Caixa, têm prestações de R$ 18. "Como o saldo devedor está sendo corrigido pelo indexador e a prestação não pode subir além do reajuste salarial do mutuário
é fácil prever que, mesmo que não haja inadimplência agora, a longo prazo, o contrato se desequilibrará", explicou Carazzai.
Para a Caixa, esses mutuários representam apenas custo: só para mantê-los no sistema, a instituição gasta R$ 22 com cada um. A CEF garante que o mutuário terá vantagens para renegociar ou liquidar seu contrato e oferece descontos entre 10% e 90% no saldo devedor. Para convencer o cliente, uma ofensiva, orçada em R$ 5,2 milhões, será desencadeada a partir da próxima semana. Além de divulgação por comunicadores regionais, em vez de por intermédio de redes nacionais de comunicação, como nas campanhas anteriores, a CEF contratou empresas de telemarketing e de cobrança. O mutuário será bombardeado por cartas, telefonemas e, numa iniciativa inédita, visitas pessoais. Em primeiro lugar dessa lista de visitas, estão os 204 mil donos de contratos de valores irrisórios.
Nos últimos três anos, a Caixa renegociou 270 mil contratos, arrecadando R$ 2,7 bilhões. Mas, para Carazzai, por falta de uma boa comunicação, 1 milhão de contratos que a instituição julga potencialmente liquidáveis, do total de 2 milhões de mutuários, não foram atingidos. Hoje, no lançamento da nova campanha, o presidente da Caixa assinou a liquidação do contrato do casal Ermando Gomes Sales, de 69 anos e Carmen Alves Sales, de 54 anos. Eles moram há 22 anos num apartamento de quarto e sala em Botafogo, na zona sul, e ainda faltava um ano e cinco meses de prestações de R$ 75.
Eles conseguiram abater a dívida de R$ 1,5 mil, reduzindo-a para R$ 891, pagos à vista. "Nunca me interessei antes em renegociar a dívida, mas recebi uma carta da Caixa e resolvi aproveitar o desconto", contou Sales.

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