CEF precisa de R$ 1,02 bi para atingir padrão mínimo exigido
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 1999
Por Vânia Cristino 
Brasília, 12 (AE) - A Caixa Econômica Federal terá que fazer, este ano, um esforço brutal para aumentar suas receitas e se enquadrar nos padrões mínimos do Acordo da Basiléia, exigidos pelo Banco Central. Segundo o presidente da Caixa, Emílio Carazzai, a instituição precisa de R$ 1,02 bilhão para se enquadrar. Este montante corresponde à necessidade de aumento de capital próprio para que a Caixa possa manter o mesmo nível de empréstimos.
"Esperamos não ter que precisar de aporte de recursos do Tesouro", declarou Carazzai ao anunciar o resultado da instituição no ano passado. A Caixa obteve, em 1998, um lucro líquido de R$ 387 milhões, tendo repassado para o Tesouro, seu único acionista, R$ 107,9 milhões.
O lucro da Caixa no ano passado foi inferior ao obtido em 1997, que atingiu R$ 406 milhões. De acordo com a diretora de Finanças da Caixa, Sandra Tavares, a queda decorreu da segregação das contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) do balanço da Caixa e da diminuição das receitas de intermediação financeira.
Ajuste - No balanço, aprovado hoje pelo Conselho de Administração, a Caixa promoveu um forte ajuste no seu patrimônio líquido, que caiu de R$ 4,64 bilhões em 1997 para R$ 3,58 bilhões no ano passado.
A redução, de acordo com a Caixa, se deve à reavaliação do patrimônio imobiliário. Os técnicos da Caixa concluíram que o valor de mercado dos imóveis da instituição era R$ 1,3 bilhão inferior ao contabilizado. Graças à depreciação do patrimônio líquido, a Caixa conseguiu aumentar de 8,7% ,em 1997, para 10,8% no ano passado, a rentabilidade sobre o patrimônio líquido.
Duvidosos - Nos números divulgados pela Caixa chama a atenção o estoque provisionado para créditos de liquidação duvidosa, que passou de R$ 11,6 bilhões, em 1997, para R$ 20,1 bilhões em 1998. No estoque, acumulado ao longo do tempo, estão incluídos a apropriação de multas e juros.
De acordo com a diretora de Finanças, a provisão feita no ano, propriamente dita, passou de R$ 1,88 bilhão em 97 para R$ 3,0 bilhão no ano passado. Segundo Sandra Tavares, a Caixa foi bastante conservadora na provisão. "O complemento que fizemos, acima do exigido pelas normas, foi da ordem de R$ 307 milhões", disse.
Segundo Sandra Tavares o perfil de inadimplência na instituição não mudou de um ano para o outro, permanecendo, em média, em 25% para os empréstimos habitacionais concedidos com recursos da poupança.
Caso a Caixa não consiga aumentar suas receitas para cumprir o enquadramento na Basiléia, o que deverá ser feito com um forte programa de incentivo à quitação antecipada dos contratos de financiamentos habitacionais.
Mas Carazzai admitiu que tentará obter uma excepcionalidade junto ao Banco Central. "Vamos apresentar ao Banco Central uma proposta para remover, no acordo da Basiléia, aquilo que não faz sentido para a Caixa", disse.
Para Carazzai a Caixa, para cumprir o papel social que o governo deseja, não pode deixar de aplicar recursos na área de habitação e saneamento, com retorno a médio e longo prazo. O descumprimento do acordo da Basiléia, pelas instituições financeiras privadas, implica, obrigatoriamente, no aporte de recursos necessários pelo acionista controlador ou na diminuição das operações ativas.


