CEF está disposta a financiar 14 prédios para sem-teto, em SP9/Mar, 21:48 Por Uilson Paiva São Paulo, 09 (AE) -Os grupos de sem-teto de São Paulo ganharam um aliado de peso na luta por moradia. A Caixa Econômica Federal está disposta a financiar a compra de 14 prédios invadidos na capital. As negociações para a inclusão dos imóveis no Programa de Arrendamento Residencial (PAR) do banco já estão em andamento - e bem adiantadas, em alguns casos. Segundo a Caixa, os prédios serão financiados em 15 anos para famílias com renda de até seis salários mínimos, que pagarão taxa mensal de 0,7% do custo do imóvel. Assim, para apartamentos de R$ 20 mil o valor do arrendamento será de R$ 140 00. "Se o proprietário tiver interesse em vender o imóvel e os sem-teto em comprar, não há motivo para a Caixa não entrar no negócio", afirmou o diretor de Desenvolvimento Urbano do banco, Aser Cortines. Ele informou que a principal exigência da instituição é que cada unidade não ultrapasse R$ 20 mil, aí incluídos o preço do imóvel e o valor gasto para deixá-lo em condições de servir como moradia. Cortines afirmou que há linha de crédito para atender essa demanda. "Mas a Caixa não interferirá na negociação com os proprietários." A maioria dos prédios em vias de financiamento está abandonada há mais de dez anos e necessita de reformas nas partes hidráulica, elétrica e de estrutura. Detalhes - Cortines disse que um dos prédios indicados para compra pelo Movimento de Moradia do Centro (MMC), na Rua Fernão Salles, Parque D. Pedro, já está com financiamento praticamente garantido. "O projeto já foi aprovado pela Caixa, só faltam detalhes com a construtora para a reforma." Um dos coordenadores do MMC, Luiz Gonzaga da Silva, o Gegê, comemora o resultado da negociação, com ressalvas. "A entrada da Caixa no negócio é uma grande novidade, mas já era para ter ocorrido há muito tempo." Centro - De acordo com a Caixa, na relação para financiamento há três outros prédios "em situação bem avançada" e dez ainda em fase de negociação com os proprietários. A Caixa não quis fornecer os endereços dos prédios por uma questão "estratégica". Todos eles ficam na região central. A líder do Fórum dos Cortiços, Verônica Kroll, afirmou que quatro prédios indicados para a Caixa pelo movimento - três deles atualmente ocupados - devem estar entre os financiados: o Hotel São Paulo, na Praça da Bandeira; dois prédios na Avenida 9 de Julho, entre eles o do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e um edifício vazio na Rua Maria Paula. "Estamos com opção de compra em todos eles", afirmou Verônica. O diretor da Caixa concorda com o argumento dos sem-teto de que é mais barato para o governo investir na reforma de prédios abandonados do que na construção de conjuntos habitacionais. "O centro da cidade já tem toda a infra-estrutura, portanto, o investimento é mais vantajoso do que uma ocupação de espaço na periferia", afirmou Cortines. "E quem ganha com a revitalização do centro é a sociedade de São Paulo." Segundo Cortines, o banco não faz distinção entre os vários movimentos de sem-teto da capital. "Recebemos todos os que encaminham a documentação necessária e estão dispostos a negociar." O diretor resumiu numa frase a nova abordagem do banco para o problema habitacional. "Os sem-teto são pessoas de bem, que só querem resolver seus problemas habitacionais."

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