CEF conclui principais pontos do programa de apoio à construção civil
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domingo, 26 de setembro de 1999
Por Mônica Ciarelli 
Rio, 27 (AE) - A Caixa Econômica Federal já concluiu os principais pontos do programa de apoio às empresas de construção civil, pedido pelo governo. O presidente da CEF, Emílio Carazzai
adiantou que o projeto será lançado em outubro pelo próprio presidente Fernando Henrique Cardoso. A iniciativa tem como objetivo aumentar o capital de giro das companhias, ampliando a capacidade do setor de investir em novos empreendimentos.
Carazzai não quis detalhar o programa, mas afirmou que a base do projeto é utilizar o grande volume de recebíveis - dívidas que a empresa tem a receber - em carteira que as construtoras acumularam nos últimos anos com o financiamento direto ao mutuário. A estimativa da Caixa é de que o setor tenha em carteira aproximadamente R$ 1,8 bilhão. "Elas usavam capital próprio para dar crédito, o que significa uma imobilização de capital de giro", explicou o presidente, após um almoço com empresários da construção civil no Rio de Janeiro.
O executivo preferiu não revelar o valor inicial do programa, mas empresários do ramo avaliam que os recursos podem chegar a R$ 800 milhões, aumentando em 140 mil a oferta de empregos no setor de construção civil. Carazzai revelou que o programa se subdivide em dois tipos. O primeiro é uma operação bancária mais simples, em que a caixa financia as empresas utilizando como garantia os recebíveis. "A Caixa anteciparia o recebimento desses títulos dando liquidez à empresa", disse. "Nesse modelo, o risco permanece com a construtora, com o banco tendo direito de regresso na operação." Com isso, a CEF pode substituir um títulos inadimplente por outro, sem prejudicar sua carteira de investimentos.
O programa também vai permitir a compra desses recebíveis pelo banco. Essa segunda modalidade é considerada mais arriscada pelo presidente da CEF e só deve ser utilizada após alguns meses do programa ser lançado. "O risco passa integralmente para a Caixa", ponderou. "É como se o banco tivesse financiado diretamente o mutuário." Carazzai explicou que nesse caso será preciso analisar detalhadamente a capacidade da pagamento de cada mutuário.
Ele acredita que as construtoras vão primeiro usar o programa de antecipação, para depois partir para a venda de seus recebíveis. Segundo Carazzai, para obter condições melhores de financiamento será preciso a Caixa ter conhecimento da qualidade do crédito das construtoras e o nível de inadimplência de sua carteira.


