São Paulo, 06 (AE) - O Sindicato Nacional das Micro e Pequenas Indústrias do Estado de São Paulo (Simpi) firmou convênio com a Caixa Econômica Federal e dois protocolos de intenção com o Banco do Brasil e o HSBC Bamerindus, para facilitar o acesso ao crédito aos micro e pequenos empresários. Os contratos foram assinados hoje, em São Paulo, durante encerramento do I Seminário Nacional da Micro e Pequena Empresa - MPE/Brasil, O Esforço de Construir, que contou com a participação de representantes de 20 Estados. Um dos principais objetivos do seminário foi a discussão do Estatuto da Micro e Pequena Empresa, já sancionado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e que deve ser regulamentado nos próximos dias.
Segundo o presidente do Simpi, Joseph Couri, esta foi a primeira vez que órgãos e entidades de vários Estados se reuniram de forma independente e discutiram problemas comuns. "À medida em que os órgãos adotam uma linguagem única nacional ganham maior respeitabildade", avaliou. O seminário, de acordo com Couri será realizado anualmente.
O Simpi pretende incluir na regulamentação do estatuto medidas para desburocratizar a abertura de novas empresas e simplificar os procedimentos na contratação de pessoal. Será lançada em 60 dias uma campanha, baseada nestas medidas, para incentivar as admissões. As micro e pequenas indústrias são apontadas como o único setor com potencial para reduzir o contingente de desempregados do País e os números apontam neste sentido.
Segundo o Simpi, no último ano o volume de trabalhadores nas pequenas indústrias cresceu aproximadamente 7%, com 60 mil novos postos e totalizando 850 mil empregados. Couri explicou que, além da agilidade, as micro e pequenas são mais eficazes na geração do emprego porque, ao contrário das empresas de grande porte que estão em franco processo de automação, elas não investem em capital e sim em mão-de-obra. Ao final do seminário, foi assinada a Carta da Pequena Empresa, que estabelece metas gerais destinadas a incentivar as exportações e a geração de empregos, dar qualificação ao empresário, reduzir a carga tributária, formar parcerias com grandes empresas, valorizar o mercado interno.
Crédito - O protocolo de intenção fechado com o HSBC Bamerindus se propõe a facilitar o acesso ao programa de exportação do BNDES. A pequena indústria que pretende operar no exterior poderá contratar empréstimos por 180 dias com taxa de juros de 1,6% ao mês, mais 1% sobre o valor tomado ao tradding e 0,8% ao Simpi.
Os acordos com a CEF e o BB visam divulgar as linhas de crédito já existentes destinadas ao micro e pequeno empresário. As condições são as mesmas ofertadas dentro do Programa Brasil Empreendedor, lançado em 5 de outubro e que está sendo executado em parceria com o Sebrae. Nos dois meses de vigência do programa
o Banco do Brasil realizou 33,5 mil operações de crédito, num total de R$ 436 milhões. A CEF concedeu R$ 250 milhões em 23 mil operações.
O Banco do Povo também vem atuando paralelamente na área do microcrédito. De acordo com o secretário do Trabalho e Emprego de São Paulo, Walter Barelli, as instituições, geridas em parceria com os municípios, já emprestaram R$ 2,6 milhões a 1.314 tomadores. No Estado, existem 20 agências em operação e o governo espera chegar a 40 em janeiro e 140 até o final do ano 2000.
O evento, que começou domingo, teve a participação de entidades representativas de 20 Estados e lideranças políticas. A organização foi da Associação Nacional dos Sindicatos das Micro e Pequenas Indústrias (Assimpi) e da Associação Nacional dos Sindicatos das Micro e Pequenas Empresas do Comércio (Assimpec).

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