Cedae e Fundação Rio-águas vão passar por auditoria
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quinta-feira, 23 de março de 2000
Por Roberta Jansen 
Rio, 24 (AE) - O Ministério Público Estadual determinou que seja feita uma auditoria ambiental independente na Companhia Estadual de águas e Esgotos (Cedae) e na Fundação Rio-águas. O objetivo é determinar a origem dos agentes que estão contribuindo para a poluição da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio. Está marcada para a próxima terça-feira uma reunião de autoridades municipais e estaduais para determinar as empresas e universidades que farão o trabalho. Na quinta-feira, a Fundação Estadual de Engenharia de Meio Ambiente (Feema) entregará as especificações técnicas para a auditoria.
O anúncio foi feito hoje, em audiência pública na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj). A auditoria foi solicitada pela Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Alerj, depois do abraço à Lagoa no último domingo. Entre os itens a serem apurados pela auditoria estão: o estado de conservação das redes, a frequência de rompimentos nas tubulações, o mapeamento das ligações clandestinas de esgoto, a situação do saneamento básico nas favelas da área e o impacto dos óleos oriundos dos postos de gasolina das imediações da lagoa.
"O impacto desses agentes é três vezes maior do que o do esgoto sanitário", garantiu hoje o presidente da Cedae, Alberto Gomes. "A Cedae está falando isso para desviar a atenção do grande vilão dessa história, que é o esgoto sanitário", rebateu a coordenadora de despoluição da secretaria municipal de Meio Ambiente, Carmem Luchariny."Nós fazemos medições frequentes e os óleos sempre apareceram dentro do limite aceitável."
Na avaliação de Carmem, a auditoria externa é importante para dar uma resposta à sociedade. "Mas a verdade é que nós já sabemos muito bem o que causa os problemas ecológicos na lagoa: o esgoto", afirmou. Gomes voltou a negar que a Cedae despeje esgoto na lagoa.
Cronograma - De acordo com cronograma apresentado hoje pela Cedae, as obras de recuperação da rede de esgotos da zona sul começa na segunda quinzena de abril, com a substituição de trechos de tubulação na avenida Niemeyer, no Jardim Botânico e em Ipanema. Há uma semana a Cedae começou a filmar por dentro parte das tubulações de Copacabana e Leblon, na zona sul, à procura de ligações clandestinas de esgoto.
Gomes não soube informar quantas ligações foram encontradas. "Eu não ia ficar contando." Na reunião da próxima terça-feira será acertada também a criação do Conselho das águas (Consag) da zona sul da cidade. O conselho será formado por representantes do poder público e da sociedade civil com o objetivo de apoiar a gestão da bacia hidrográfica.


