Ceci foi morta na noite de 16 de dezembro após ser diplomada
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quarta-feira, 07 de abril de 1999
Por Lige Albuquerque e Mariângela Galucci 
Brasília, 08 (AE) - A deputada Ceci Cunha (PSDB-AL) foi assassinada na noite de 16 de dezembro, horas depois de ter sido diplomada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) em Maceió. Acabara de reeleger-se deputada, com 54,9 mil votos, a terceira maior votação do Estado. Ela foi atingida no pescoço dentro de casa, onde estava acompanhada do marido, Juvenal Cunha, e de outros dois parentes próximos, também mortos a tiros de espingardas calibre 12 e revólveres calibre 38. Primeiro suplente da deputada, Talvane Albuquerque, na época no PFL, foi apontado pela Polícia Federal (PF) como o autor intelectual do crime.
O motivo da chacina teria sido o interesse do deputado, em assumir uma vaga na Câmara dos Deputados. As suspeitas contra o ex-deputado foram alimentadas pela prisão de dois dos seguranças dele e fortalecida por denúncia feita pelo deputado Augusto Farias (PFL-AL), de que o ex-deputado teria encomendado o assassinato ao pistoleiro Maurício Novaes Guedes, o "Chapéu de Couro".
Pela versão de Farias, Albuquerque teria contratado o pistoleiro para o matar, mas teria recuado por causa do vazamento da informação. Farias alegou que, por andar acompanhado de seguranças, não seria um alvo fácil, ao contrário de Ceci, que não tinha segurança pessoal.
Para sustentar as acusações, o irmão do empresário Paulo César Farias, o PC, tesoureiro da campanha que elegeu o presidente Fernando Collor de Mello, apresentou gravações clandestinas com diálogos entre Albuquerque e o pistoleiro.
No início de janeiro, "Chapéu de Couro" apresentou-se à PF em São Paulo, confirmou a versão de Farias e incriminou assessores próximos do ex-deputado. O pistoleiro também afirmou que, pelo assassinato de Farias, lhe teriam sido oferecidos R$ 200 mil e confirmou que Albuquerque teria encomendado também a execução de Ceci, entre outros desafetos. A negociação, contou, acontecera logo após as eleições.
Na mesma época, a Câmara instalou uma comissão de sindicância para apurar o suposto envolvimento de Albuquerque com o pistoleiro alagoano. As investigações foram iniciadas dias após o ex-deputado fazer um longo pronunciamento em plenário para se defender.
Entre uma explicação e outra, Albuquerque admitiu ter conversado com o pistoleiro, mas negou que tivesse negociado a vida dos colegas.
As investigações comprovaram a veracidade da fita e a comissão de sindicância sugeriu a cassação do mandato do deputado - que se desfiliou do PFL nos primeiros dias de janeiro - por quebra de decoro parlamentar. Os deputados entenderam que, ao se relacionar com um pistoleiro, Albuquerque faltara com o decoro. A cassação do mandatto foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara em março e ratificada pelo plenário ontem (07).


