O Vaticano, a Renovação Carismática Católica (RCC) e o padre Marcelo Rossi foram criticados durante o Encontro Intereclesial de Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), que se realiza em Ilhéus, na Bahia. O padre Zezinho, o mais antigo dos padres cantores do País, disse que Rossi não controla mais o que faz. ‘‘Seus atos são decididos por marketeiros, homens da mídia, que definem o que ele deve fazer, aonde deve ir’’, afirmou. ‘‘Nos shows para a TV, já o fizeram aparecer ao lado de pessoas vestidas de maneira que ele não aprova e até dizer coisas que não queria.’’
Na opinião do padre Zezinho, seu colega age como um pregador que abdicou do controle do púlpito. ‘‘Eu nunca me esqueci que sou padre e pregador e sempre defini o que dizer no meu púlpito ’’ afirmou o padre.
As CEBs surgiram na década de 60 e são constituídas principalmente por leigos. Fazem parte da estrutura da Igreja Católica, sendo coordenadas por bispos, padres e freiras. Seus integrantes defendem o engajamento dos cristãos nas lutas sociais, ao lado da população mais pobre. Por causa disso vêem com desconfiança a RCC, outro movimento leigo, que se caracteriza principalmente pelo apelo à espiritualidade e que está se expandindo cada vez mais pelo País.
‘‘Quem fica só no aleluia cai no oba-oba religioso’’, disse dom Pedro Casaldáliga, bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia, Mato Grosso, e uma das figuras mais emblemáticas das CEBs. Ele se referia às cerimônias carismáticas, caracterizadas sobretudo pela música.
Durante a entrevista coletiva programada pela direção do encontro, dom Pedro fez referência às restrições que as CEBs estão sofrendo no pontificado de João Paulo II. Atribuiu-as à falta de democracia interna. ‘‘Vivemos com uma herança de mil anos de poder absoluto - um problema que não se resolve de um dia para outro.’’
Indagado sobre Fernando Henrique Cardoso e as suspeitas de envolvimento com o escândalo do Fórum Trabalhista de São Paulo, o bispo de São Félix disse que sempre desconfiou do atual governo. Ele atribuiu suas dúvidas às alianças que o presidente fez durante as eleições, à sua ‘‘subserviência ao projeto neoliberal’’ e ao fato de ‘‘não aceitar’’ a oposição. ‘‘Ele exibe uma prepotência indigna de um intelectual.’’

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