Buenos Aires, 30 (AE) - Termina amanhã (31) em Buenos Aires o I Encontro Mercosul do CEAL, cujo tema principal foi o "Fortalecimento do Mercosul, aprofundamento, ampliação e relações externas". O encontro, que durou dois dias, reuniu a nata do empresariado do Cone Sul, economistas, políticos e e analistas que debateram as ações empresariais para a evolução e as relações externas do Mercosul, a influência dos processos econômicos e políticos internos na evolução do bloco comercial, a convergência macro-econômicas e as perspectivas de investimentos no Cone Sul O empresário Roberto Teixeira da Costa
presidente do CEAL declarou ao Estado que os empresários "não abrem mão de forma alguma do Mercosul".
Segundo Teixeira da Costa, alguns economistas, como a argentina Beatriz Nofal, "haviam levantado a hipótese de que diante das dificuldades que estamos enfrentando que talvez deveriamos recuar da idéia de união aduaneira imperfeita que temos hoje, para manter exclusivamente uma zona de livre comércio".
O presidente do CEAL sustentou que o consenso empresarial é "completamente contrário a esse posicionamento. "Nós entendemos que interna e externamente o retrocesso é inaceitável. Perante o mundo, o Mercosul é visto hoje como uma força integradora. Esse recuo seria extremante negativo do ponto de vista geopolítico e estratégico", afirmou.
Teixeira da Costa disse aos participantes do CEAL que dentro do Mercosul "não se está dando o peso que externamente se dá a ele".
Segundo o empresário, "ficamos muito preocupados por crises de curto prazo, contenciosos que ocorrem, e às vezes perdemos a dimensão do Mercosul como uma zona de livre comércio importante".
Comentando a exposição realizada por Márcio Fortes, o presidente do CEAL relatou que a maioria do Congresso Nacional brasileiro ignora o Mercosul: "Não as incluem em suas prioridades, ocupando-se somente do dia-a-dia política onde o bloco comercial não se insere. É uma política de Estado, mas ela não é compreendida. Não é supra-partidária."
Teixeira da Costa lamentou que "a relutância do Brasil em discutir um tribunal supra-nacional para discutir temas pendentes ou contenciosos, fica cada vez mais enfraquecida". Segundo ele, "não é possível imaginar que a cada crise os presidentes tenham que se visitar, para trocar idéias e assim passar por cima da crises". O empresário sustentou que muitos argumentam que dessa forma, as crises se resolvem, mas ponderou que "ficam sequelas, e não se resolvem definitivamente".
Além disso, o líder empresarial brasileiro afirmou que é preciso que o Brasil e a Argentina "prestem atenção" ao Uruguai e ao Paraguai. "Não pode existir um Mercosul forte com dois parceiros que estão em uma situação inconfortável."
O representante do Uruguai deixou claro que o tema da participação desse país no Mercosul é um tema presente na campanha eleitoral presidencial, que se aproxima. E o Paraguai, que com todos seus problemas, sentem que não há uma cooperação suficiente de seus parceiros.
"Temos que olhar nossos sócios menores. A União Européia sempre privilegiou a Espanha e Portugal. É verdade que eles têm acesso a recursos que nós não temos. Mas sempre existirão outras maneiras para darmos atenção à agenda que eles nos pleiteiam."

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